há 2 horas
Giroto comenta baixas na Justiça de dois nomes do PL e mira "quarta vaga" à Câmara Federal
Ex-deputado, réu em processos por enriquecimento ilícito e improbidade, vê quociente eleitoral mais viável
O ex-deputado federal e pré-candidato Edson Giroto (PL) comenta sobre o cenário que, segundo ele, pode elevar de dois para quatro o número de deputados federais do partido eleitos por Mato Grosso do Sul em outubro.
A conta otimista de Giroto tem como ponto de partida a saída forçada de dois nomes da disputa: o vereador e ex-deputado estadual Rafael Tavares, tornado inelegível por decisão do Supremo Tribunal Federal e o ex-deputado Neno Razuk, atualmente foragido e condenado por liderar um esquema de jogo do bicho em Campo Grande.
"Sobre o David, eu torço muito para que ele venha pra Federal, porque na verdade ele entraria no lugar do Rafael Tavares e fortalece a legenda", diz Giroto, referindo-se ao deputado estadual Coronel David, cotado pela cúpula do PL para deixar a Assembleia Legislativa e disputar a Câmara Federal.
"Com ele e o Pollon, nós fazemos três cheios e fica uma sobra considerável ainda para brigar para uma quarta vaga".
Giroto concorre na chapa do PL com as bênçãos do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e do ex-governador Reinaldo Azambuja, atual presidente da sigla em Mato Grosso do Sul. Ele sempre foi próximo a Valdemar, quando ocupou cargos no Ministério dos Transportes, no governo Dilma Rousseff.
Baixas por motivos distintos
Rafael Tavares foi condenado a 2 anos e 4 meses de prisão por um post no Facebook de 2018 em que incitava atos violentos contra negros, gays, japoneses e indígenas. Em 20 de julho, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, negou recurso e manteve a condenação, decisão que o torna inelegível para 2026.
Neno Razuk, que mantinha pré-candidatura a federal combinada diretamente com Azambuja, é apontado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) como líder do jogo do bicho em Campo Grande. Foi condenado a 15 anos e 7 meses de prisão por organização criminosa, exploração de jogos de azar e roubos. Perdeu o mandato de deputado estadual em maio, por fraude eleitoral envolvendo colegas de coligação (Loester Trutis e sua ex-companheira, Raqhelle Trutis), episódio distinto do processo do jogo do bicho, e desde o início de julho é foragido, com mandado de prisão mantido pelo Tribunal de Justiça.
Giroto também enfrenta, de grosso modo, problemas: Acumula condenações por improbidade e enriquecimento ilícito, mas também obteve absolvições recentes em desdobramentos da Operação Lama Asfáltica. Ele ainda recorre de decisões de primeira instância, o que o torna elegível, por ora.
A conta de "três cheios e uma sobra" pressupõe que Coronel David migre para a federal e que Marcos Pollon permaneça como candidato a deputado federal e nenhuma das duas coisas está confirmada.
David ainda não respondeu oficialmente ao convite da cúpula estadual do partido, formulado depois que pesquisas internas mostraram desempenho fraco dos atuais federais "bolsonaristas raiz".
Já Pollon vem pressionando a executiva nacional do PL contra a decisão de Valdemar Costa Neto de escalar Reinaldo Azambuja e Capitão Contar para os dois lugares do Senado, o que pode travar o próprio arranjo que sustenta a conta de Giroto. Rodolfo Nogueira, o outro federal eleito pelo PL em 2022, segue candidato à reeleição.
Quociente eleitoral
O sistema proporcional brasileiro define quantas cadeiras cada partido ou federação leva na Câmara dos Deputados dividindo o total de votos válidos do estado pelo número de vagas em disputa, o chamado quociente eleitoral. Quem soma legenda mais votos nominais dos seus candidatos e ultrapassa esse número, cadeira por cadeira, garante vaga; o restante se distribui por sobras.
O número oficial só existe depois da eleição, ele depende de quantos eleitores comparecem às urnas em outubro e de quanto desse comparecimento vira voto válido (descontados brancos e nulos), variáveis que só são conhecidas no dia da apuração.
A projeção em MS, com eleitorado apto a votar (2.024.884, em 20 de julho), aplicando a mesma proporção de comparecimento e de votos válidos observada em 2022 sobre esse eleitorado maior, a prévia do suposto quociente eleitoral para 2026 ficaria em torno de 159.000 a 160.000 votos por cadeira, um patamar muito próximo do de 2022.
O que isso significa para a conta de Giroto
Com um quociente estimado em 159 mil votos, "três cadeiras cheias" para o PL, como projeta Giroto, exigiriam a soma de aproximadamente 477 mil votos entre legenda e todos os candidatos do partido, e uma "quarta vaga" dependeria de uma sobra superior a esse patamar, algo que normalmente só se viabiliza com votação total ainda maior.
Para efeito de comparação: em 2022, somando apenas os dois candidatos eleitos pelo PL (Pollon, com 103.111 votos, e Nogueira, com 41.773), o partido já somava 144.884 votos nominais, abaixo de um quociente sozinho, o que mostra que a legenda e os demais candidatos da chapa tiveram peso decisivo para fechar duas cadeiras naquele ano.