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há 2 horas

Grafites criados nos bairros viram cartões-postais de Campo Grande

Obras produzidas por crianças e adolescentes de quatro regiões de Campo Grande agora circulam por espaços culturais com acesso livre e opções de acessibilidade em áudio

23/07/2026 às 13:34 | Atualizado 23/07/2026 às 11:38 Diana Christie
Divulgação

Obras que antes ocupavam muros inteiros agora cabem na palma da mão e podem viajar de um canto a outro de Campo Grande. Depois de espalhar cores e tinta spray por quatro regiões da cidade, o projeto Mural Postal Campão transformou o trabalho feito a muitas mãos em cartões-postais que começam a ser distribuídos de graça.

A iniciativa movimentou crianças, adolescentes e moradores locais ao longo dos meses de maio e junho. O grupo experimentou o processo de criar arte urbana usando estêncil e spray, unindo referências afetivas e visuais de quem vive nos bairros Zé Pereira, Santa Branca, Cruzeiro e Dom Antônio Barbosa. Após o rascunho e a pintura coletiva, o toque final dos desenhos ficou sob o comando do artista visual e arte-educador Fabio Quill.

Para ele, a participação do público deu a verdadeira identidade do trabalho. “Os murais foram criados a partir do encontro com as comunidades. Cada grupo trouxe suas referências, suas memórias e sua maneira de enxergar Campo Grande. O resultado não é apenas uma pintura no muro, mas um registro construído coletivamente por quem vive nesses territórios”, relata o muralista.

Uma dessas memórias ganhou forma logo na primeira oficina, no fim de maio, na Associação do Bairro Zé Pereira. Lá, a inspiração foi o sobá, prato de origem okinawana que marca a cultura local. Nos encontros seguintes, as tintas passaram pelas escolas Abel Freire de Aragão e São José, encerrando o circuito de vivências na Fraternidade Despertar.

Agora, os grafites rompem as fronteiras dos bairros. Até o final desta semana, os postais desembarcam em cinco pontos da região central. O material conta com uma surpresa tecnológica: dois QR codes no verso. Um deles direciona para informações turísticas e culturais da Cidade Morena, enquanto o outro garante a acessibilidade oferecendo a audiodescrição da obra.

Para a produtora cultural Rubia Sibele, o formato prolonga a vida útil da intervenção e democratiza o acesso. “Quando os murais se transformam em postais, essas imagens ganham novos caminhos. Elas saem dos locais onde foram criadas, chegam a outros pontos da cidade e ainda podem ser enviadas para diferentes lugares. É uma forma de valorizar a produção cultural dos bairros e fazer com que essas histórias circulem”, destaca.

O projeto foi viabilizado pela Prefeitura de Campo Grande, por meio da Fundação Municipal de Cultura e incentivo do FMIC 2024. Em breve, a organização também fará uma entrega direta dos postais nas escolas e instituições que abriram seus muros para a ideia, para que os próprios autores tenham o registro em mãos.

Serviço:

O que: Distribuição gratuita de cartões-postais do projeto Mural Postal Campão

Prazo: Disponível até o final desta semana nos locais parceiros

Onde encontrar: