há 3 horas
Crianças transformam roupas esquecidas em moda sustentável na Vila Nhanhá
Com apoio da PNAB, atividades reúnem grupo de 5 a 14 anos para imersão em upcycling, criação de estilo próprio e consciência ambiental no Núcleo Humanitário do bairro
O que antes iria parar no fundo de uma gaveta ou no lixo ganha status de arte nas mãos de quem ainda tem muito o que inventar. Na Vila Nhanhá, em Campo Grande, peças de roupa esquecidas estão servindo de tela para cerca de 20 crianças e adolescentes, com idades entre 5 e 14 anos. O grupo mergulhou em uma oficina gratuita de moda sustentável, em que o aprendizado passa longe das agulhas tradicionais e foca na criatividade e no impacto ambiental.
Promovida pela SCReEW ART Vestuário no Núcleo Humanitário da Nhanhá, a iniciativa aposta no upcycling, técnica que reaproveita materiais usados para criar novas peças, sem depender de processos industriais pesados. Nos primeiros encontros desta semana, a turma encarou a teoria antes de colocar a mão na massa. Por meio de vídeos e rodas de conversa, os participantes viram de perto o peso do consumo desenfreado, passando por imagens reais do deserto do Atacama, no Chile, onde milhares de toneladas de lixo têxtil se acumulam.
O choque de realidade logo deu lugar ao papel e à caneta. Cada criança recebeu moldes desenhados para projetar como queria transformar sua própria roupa. O figurino não saiu do zero: as peças vieram de doações, e cada jovem escolheu a sua com base no tamanho, nas estampas e no gosto pessoal. Com as roupas já separadas e com o nome de seus futuros criadores, o entusiasmo tomou conta da turma.
A partir desta quarta-feira, a imaginação ganha o tecido. A garotada usa estêncil, carimbos, tintas próprias e sprays à base de água para dar vida aos rascunhos. Para o multiartista e produtor cultural San Martinez, que comanda a oficina, o processo mexe com muito mais do que a aparência do vestuário. “A arte pode levar à criação do próprio estilo, do próprio jeito de pensar e de gerir a vida. Quando a criatividade é despertada desde cedo, ela ajuda a formar pessoas com mais autoestima, autonomia e capacidade de enfrentar os desafios do cotidiano”, pontua o artista.
A rotina de criação tem um respiro diário com um lanche coletivo, momento que aproxima os participantes e reforça o clima de acolhimento e troca de experiências no espaço.
O ciclo da oficina será encerrado com um desfile das roupas customizadas, acompanhado de uma sessão de fotos e exposição. O plano é fazer com que essas imagens circulem futuramente por escolas da região e pelo próprio Núcleo Humanitário, deixando registrado o protagonismo das crianças na construção de uma moda com mais propósito. A ação é realizada com investimento da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc).