há 2 horas
Apagão na Saúde? Prefeitura faz leilão de dívidas e maior parte do calote é com remédios
Débito da gestão municipal com fornecedores é de R$ 3,4 milhões
Prefeitura de Campo Grande divulgou, nesta quinta-feira (23), regras do leilão de empresas para as quais o Município deve cerca de R$ 3,4 milhões. O detalhe é que todo o calote municipal é na área da Saúde, o que acende um alerta diante de denúncias de falta de equipamentos e medicamentos básicos e complexos na atual gestão.
O Município detalhou que o leilão de credores é voluntário; quem não participar continua na lista de pagamentos da prefeitura, embora não haja prazo para quitação. Igualmente foi estabelecido que as firmas que oferecem o maior desconto terão prioridade na fila de recebimento. A sessão pública foi marcada para 7 de agosto deste ano.
O desconto mínimo estipulado é de 1%, diz a divulgação. Ficam de fora do regramento dívidas de precatórios, as que estão ajuizadas e aquelas que não estejam na lista oficial.
O objetivo da medida, conhecida popularmente como ''leilão reverso de créditos'' é fazer com que as empresas recebam rapidamente, ainda que com desconto. Depois de homologado o resultado do certame, o pagamento da primeira parcela será feito em até 30 dias; 2ª parcela em até 60 dias e a terceira em 90 dias.
Saúde
O que chama a atenção no edital de convocação é que 100% da dívida da prefeitura é com a área da Saúde, especificamente na compra de medicamentos. Dos R$ 3,40 milhões de débito, R$ 3,24 milhões são com empresas de remédios, sendo 95,2% do total. Só com a CM Hospitalar (Brasília e Ribeirão Preto) o calote é de R$ R$ 1.896.354,39. No total, são 11 companhias que têm a receber somente em medicamentos.
Remédios
Desde o início de 2025, as denúncias de falta de medicamentos em unidades de saúde da Capital se intensificaram. O TopMídiaNews trouxe diversas queixas. O lamento dos pacientes se dá em medicamentos básicos, como analgésicos e anti-inflamatórios, até medicamentos controlados, como cloridrato de amitriptilina.
Quando a gestão atual anunciou o Comitê Gestor da Saúde, em outubro de 2025, foi prometido que, até março de 2026, o estoque de medicamentos estaria normalizado. No entanto, em abril deste ano, o Ministério Público Estadual identificou falta de controlados no Caps Vila Almeida.