Polícia

há 2 horas

Mãe de menina autista espancada no Paraguai teria pedido dinheiro para devolver a criança

Família paterna afirma ter passado R$ 9 mil para que a filha voltasse para casa no Brasil

24/07/2026 às 14:47 | Atualizado 24/07/2026 às 13:28 Rebeca Ferro
Arquivo TopMídiaNews

Em uma tentativa de conseguir a guarda legal da criança, a família paterna da criança autista de 6 anos, espancada no Paraguai, está organizando provas que desmintam as versões apresentadas à justiça paraguaia pela mãe da criança. 

De acordo com o pai da menina, a criança foi levada para passar apenas as festividades do fim de ano com a mãe, uma vez que ela estava matriculada em uma escola brasileira e seguia uma rotina de cuidados por ser autista. Mas, descumprindo o combinado, a mãe não levou a menina para a casa paterna novamente. 

Sem saber o paradeiro da filha, o pai da criança decidiu abrir um registro de ocorrência na polícia de Araguaia para tentar localizar a filha. Em junho deste ano, a mãe da criança teria entrado em contato com a família, avisando que devolveria a menina caso passassem a quantia de R$ 9 mil para ela. 

"Eu tenho o comprovante de tudo. Ela pediu a quantia de R$ 9 mil para devolver a minha filha, e eu consegui o dinheiro e mandei para ela, mas ela não me entregou a minha filha", diz. 

Segundo a família, a mãe da criança sempre apresentou um comportamento "irresponsável" no cuidado com a filha. A avó afirma que, em 2024, a mãe havia ido buscar a filha para passar um tempo com ela, e a menina só retornou seis meses depois, mesmo estando em período letivo. 

Acusação feita pela mãe

Durante o processo de decisão da guarda da criança, a mãe pediu à justiça paraguaia que ela fosse dada a um casal de pastores do país, que já haviam sido vizinhos dela. A mãe alegou que os cuidados deveriam ficar com o casal, que poderia proporcionar suporte à criança. 

No processo foi constatado que o pai da criança teria que provar a sua capacidade de cuidar da menor e que não era usuário de drogas. "Eu fiz o exame toxicológico que me pediram e, como eu sabia, deu negativo. Disseram no processo que eu era drogado, mas nunca fiz uso de drogas. Me chamaram de drogado, mas não sou."

Em entrevista à reportagem do TopMídiaNews, a avó paterna se emocionou ao relembrar a rotina que a família mantinha com a neta no Brasil. "A gente sempre deu todo o amor e carinho para ela aqui; ninguém nunca bateu nela. Aqui na minha casa moramos apenas eu, ela, o pai dela e o meu outro filho, que é deficiente e ama ela. Ela dormia comigo e eu sempre cuidei muito bem dela. Agora ela está com um casal que não é a família dela e eu não falei mais com ela." 

Maus-tratos à criança

A criança deu entrada nesta segunda-feira (24) no Hospital Regional de Pedro Juan Caballero com diversos ferimentos, espalhados pelo corpo. A menina foi encaminhada pela mãe adotiva ao hospital com diversos hematomas e escoriações em várias partes do corpo, incluindo tórax, costas, pescoço, rosto, braço direito e região dos glúteos. 

O principal suspeito é o padrasto/pai adotivo de 23 anos, que se apresentou à polícia paraguaia e foi preso preventivamente por decisão do Ministério Público do país. Segundo a avó, a última vez que ela viu a neta foi durante a audiência para decisão da guarda, que aconteceu nesta semana no Paraguai. 

"Eu via a minha netinha e parecia que o casal [que recebeu a guarda provisória] queria escondê-la da gente, mas ela me viu e veio correndo falar comigo. Ela me olhou e falou: 'Vovó, dodói' e começou a levantar a blusinha para me mostrar, mas eu não deixei; o meu coração não ia aguentar ver". 

Segundo a avó da criança, foi impossível segurar as lágrimas diante da cena. "Ela secou o meu rosto e continuou falando que estava doendo. Eu não aguentei e deixei ela aos cuidados deles novamente e saí." 

De acordo com o pai da criança, a família agora corre contra o tempo para conseguir trazer a criança em segurança para o Brasil, para que ela possa voltar à rotina que sempre teve e aos cuidados de quem a ama.