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Vício em bets preocupa conselho em MS: 'ganha um pouco e depois perde tudo'
Estudos mostram que vício em apostas traz prejuízo muito grande para as relações familiares
Com a Copa do Mundo, as apostas esportivas voltaram a dominar as redes sociais e acenderam o alerta sobre os riscos das chamadas bets. Em Mato Grosso do Sul, a preocupação não é recente. Segundo o presidente do Cead/MS (Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas), Marcos Estevão dos Santos de Moura, o vício em apostas já é tratado como uma dependência comportamental que pode causar prejuízos sociais, familiares e econômicos.
O presidente explica em que momento as apostas são vistas como vício pela entidade. “O Conselho trata todas as apostas, todos os jogos de azar, tudo aquilo que pode trazer descontrole econômico e comportamento de uso compulsivo, como vício”, explicou.
Segundo Marcos, as bets passaram a chamar ainda mais atenção nos últimos anos por causa da regulamentação e da grande exposição do tema. Para ele, a liberação tende a aumentar o consumo, assim como ocorreu historicamente com outras substâncias legalizadas.
O presidente do Cead/MS compara a dependência em jogos ao funcionamento de drogas químicas no cérebro. Segundo ele, jogos online, bets e plataformas como o “jogo do tigrinho” sempre estiveram no radar do conselho.
Adultos jovens estão entre os mais atingidos
Dados divulgados pelo Banco Central em 2024 mostram a dimensão do problema no Brasil nos últimos anos. O levantamento estimou que cerca de 24 milhões de pessoas físicas participaram de jogos de azar e apostas, realizando ao menos uma transferência via Pix para empresas do setor no período analisado. A maioria dos apostadores tinha entre 20 e 30 anos.
De acordo com Marcos, a preocupação é ainda maior porque esse período costuma coincidir com a fase produtiva da vida e com a formação de famílias. “O jogo começa na adolescência, mas permanece forte nos adultos jovens, e isso é preocupante porque são pessoas que muitas vezes já constituíram família e trazem prejuízo muito grande para as relações familiares e para a criação dos filhos”, explicou.
Para Marcos, a promessa de ganho rápido é um dos principais atrativos das bets, mas também um dos maiores riscos. “Ela ganha um pouco e depois perde tudo e muito mais. Depois, joga para recuperar o que perdeu, o que jamais consegue, e chega uma hora em que o prazer passa a ser jogar, ganhando ou perdendo”, afirmou.
Onde procurar ajuda
O Cead/MS atua no planejamento, orientação e articulação de políticas públicas de prevenção e apoio a pessoas afetadas por dependências comportamentais e de substâncias. No caso do vício em apostas, o atendimento à população ocorre por meio da rede pública de saúde e de entidades parceiras.
Pessoas que percebem perda de controle com apostas, endividamento, sofrimento emocional ou prejuízos familiares podem procurar a UBS (Unidade Básica de Saúde) ou ESF (Estratégia Saúde da Família) mais próxima para orientação inicial e encaminhamento.
Os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), dentro da RAPS (Rede de Atenção Psicossocial) do SUS, são as principais portas de entrada para acompanhamento multiprofissional, com atendimento médico, psicológico e social em casos de compulsão e dependência comportamental.
O conselho também recomenda grupos de apoio especializados, como Jogadores Anônimos, que oferecem suporte a pessoas com dependência em jogos e a seus familiares.
Segundo Marcos, o trabalho do conselho é principalmente preventivo, mas depende de articulação entre poder público, escolas, empresas e sociedade.