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Um ano após ponto de ônibus desabar sobre idosa, processo segue parado no Tribunal de Justiça
A filha da vítima detalhou que vários advogados já pegaram a ação, mas sempre desistem do caso
Mais de um ano após o desabamento de um ponto de ônibus atingir a aposentada Irene Nunes da Silva, no Bairro Aero Rancho, em Campo Grande, a família afirma que ainda aguarda os primeiros avanços na ação judicial movida por conta do ocorrido.
O acidente aconteceu na manhã de 25 de fevereiro de 2025, quando Irene aguardava o transporte coletivo em um ponto localizado na Rua Carlos Drummond de Andrade. Conforme a ação, a cobertura da estrutura, que estaria deteriorada e inclinada, desabou sobre a idosa. Ela foi socorrida pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e encaminhada à Santa Casa, onde passou por cirurgia após sofrer uma fratura no tornozelo.
Ao TopMídiaNews, a filha da vítima, Luana Maria Nunes da Silva Tavares, contou que a família esperava uma resposta mais rápida da Justiça, mas, até o momento, diz que nenhuma perícia foi marcada.
"Minha mãe sofreu um acidente no ano passado, porque o ponto de ônibus caiu em cima dela. A gente entrou na Justiça e até hoje não tem nenhuma resposta. O processo não tem movimentação", desabafou.
Segundo ela, a situação tem sido desgastante para as duas. "Ela já tem 66 anos e está difícil para nós duas. É só eu e ela, uma depende da outra"
Ainda conforme Luana, o único retorno recebido do advogado é de que a família deve aguardar a tramitação do processo.
"Foi pedido pelo juiz que ela fizesse a perícia, mas até agora não foi marcada. A gente não sabe quando vai acontecer. O advogado só fala que tem que aguardar, e isso quando responde. Tem vezes que nem responde."
Além disso, o processo já teria passado pela mão de outros três advogados, que sempre abandonam a ação.
A filha afirma que Irene conseguiu se recuperar parcialmente, mas ficou com limitações permanentes. "A recuperação foi muito boa, mas ela ficou com hematomas e hoje não tem mais a mesma facilidade para ir e vir. Ela sente muita dor, ficou muito sensível, até porque já tinha sofrido outra fratura nessa mesma perna."
Atualmente, Irene vive com o Benefício de Prestação Continuada (Loas) e precisou se mudar para um endereço mais próximo da filha, que continua sendo sua principal cuidadora.
A ação
Na ação protocolada em fevereiro de 2025, Irene e Luana pedem a condenação solidária do Estado, da Prefeitura de Campo Grande e da Agetran por danos morais, materiais e estéticos. A defesa sustenta que o ponto de ônibus apresentava sinais visíveis de deterioração e que moradores já haviam alertado sobre o risco antes do acidente, atribuindo aos órgãos públicos a responsabilidade pela falta de manutenção da estrutura.
Entre os pedidos estão indenização por danos morais, materiais e estéticos, além de pensão mensal, custeio de despesas médicas e tutela de urgência. A ação também solicita a realização de perícia médica para comprovar a extensão das sequelas deixadas pelo acidente. O valor atribuído à causa é de R$ 375 mil.
A reportagem deixa espaço aberto para manifestação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul sobre o andamento do processo e dos órgãos citados na ação.