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Estagiário de direito é preso por aplicar golpes de R$ 100 mil se passando por advogado em Dourados
Pelo menos sete pessoas ou empresas afirmam ter contratado seus serviços, acreditando que ele integrava um escritório de advocacia
Um estagiário de direito, de 31 anos, foi preso em Dourados, suspeito de aplicar golpes se passando por advogado e oferecendo serviços jurídicos e financeiros. Ele é investigado por estelionato, ameaça, porte de arma de fogo com numeração suprimida e exercício ilegal da profissão.
De acordo com o boletim de ocorrência, a denúncia que levou à prisão foi feita por um 3º sargento da Polícia Militar, de 39 anos. O policial afirmou que conheceu o suspeito há cerca de dois meses, quando ele ofereceu assessoria jurídica e intermediação de serviços financeiros para conseguir recursos do BNDS (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) destinados à empresa da qual o militar é sócio.
Segundo o relato, o policial pagou R$ 4,5 mil para dar início ao suposto projeto, além de R$ 400 referentes a honorários contábeis e R$ 321,50 para uma alegada alteração na alíquota da empresa.
No último sábado (25), os dois se encontraram na casa do investigado, no Jardim Água Boa. O policial disse que pediu a apresentação dos registros na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e no CRC (Conselho Regional de Contabilidade). Conforme o boletim, o suspeito admitiu que não possuía inscrição em nenhum dos órgãos.
Ainda segundo a ocorrência, ao ser cobrado pela devolução do dinheiro, o investigado teria se recusado e respondido, em tom ameaçador, que não pagaria "merda nenhuma", enquanto levava a mão à cintura, insinuando estar armado. O sargento então realizou uma abordagem e encontrou uma pistola calibre 7,65 com a numeração raspada e cinco munições calibre .32. Em seguida, uma equipe da Polícia Militar foi acionada e encaminhou o suspeito para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário).
Conforme divulgado pelo site Dourados News, o suspeito negou ter aplicado qualquer golpe. Em depoimento, ele afirmou que o policial o procurou por indicação de um amigo e que os R$ 4,5 mil correspondiam à entrada para elaboração de um projeto de financiamento junto ao BNDES.
O estagiário disse ainda que entregou um estudo de viabilidade econômica e social ao cliente e alegou que um documento desse tipo custa cerca de R$ 18 mil. Também afirmou que ofereceu o próprio veículo como forma de ressarcimento, mas que a proposta foi recusada.
Ele negou ter ameaçado o policial e declarou que mantinha a arma para defesa pessoal porque estaria sendo ameaçado por clientes que o acusam de estelionato em outras situações.
O investigado admitiu que não possui formação em direito nem em contabilidade. Segundo ele, atua com assessoria nessas áreas e os documentos seriam assinados por profissionais parceiros regularmente habilitados.
A Polícia Civil acredita que o caso não seja isolado. As investigações apontam que o suspeito se apresentava a clientes e parceiros comerciais como advogado regularmente inscrito na OAB, embora fosse apenas estagiário de direito.
Ainda segundo a investigação, os pagamentos pelos supostos serviços eram feitos diretamente para contas bancárias do investigado. A suspeita é de que ele tenha obtido pelo menos R$ 100 mil com os golpes. Pelo menos sete pessoas ou empresas afirmam ter contratado seus serviços acreditando que ele integrava um escritório de advocacia.
O caso segue sendo investigado pelo 1º Distrito Policial de Dourados.