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Gaeco denuncia 17 investigados por corrupção ativa após fraude de R$ 27 milhões na Saúde

As apurações apontam que a empresa utilizava a alegação de exclusividade sobre obras literárias para justificar contratações sem licitação, embora os livros pudessem ser comercializados por outros distribuidores

29/07/2026 às 08:26 | Atualizado 29/07/2026 às 08:58 Brenda Souza
Da esquerda para direita: Felipe, Olívia e Rosana Jafar; Paulo e Douglas Melo; e Ed Carlo Burgatt - Redes Sociais

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO) denunciou 17 pessoas acusadas de integrar uma organização criminosa que, segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), fraudava contratações públicas para o fornecimento de livros paradidáticos a prefeituras do Estado. A denúncia foi protocolada no TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) no âmbito da Operação Gutenberg.

Conforme a peça assinada pelos promotores do GAECO, o grupo é acusado de praticar crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em procedimentos de inexigibilidade de licitação. A investigação aponta que o esquema atuava desde 2021 e permaneceu em funcionamento até este ano.

Na denúncia, o Ministério Público afirma que a organização era liderada pela empresária Rossana Paroschi Jafar, por Heyder Bartz e Francisco Anízio dos Santos. Também foram denunciados Rhayane Souza Fanaia, Giovanni Paroschi Jafar, Olívia Paroschi Jafar, Felipe Paroschi Jafar, Ed Carlo Britto Burgatt, Jessyca Duarte Burgatt, Gabriel Taquino de Paula, Joatan Gomes Peixoto, Matheus Oliveira Peixoto, Douglas Henrique Melo, Paulo Rogério de Melo, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, Valesca Thais Albuquerque Teixeira e Inácio da Silva Espíndola.

Segundo o Gaeco, a investigação começou após uma denúncia indicando que a empresa Editora Avante, apesar de possuir capital social de apenas R$ 40 mil e estrutura considerada incompatível, havia conquistado contratos milionários para fornecer livros a municípios sul-mato-grossenses. As apurações apontam que a empresa utilizava a alegação de exclusividade sobre obras literárias para justificar contratações sem licitação, embora os livros pudessem ser comercializados por outros distribuidores.

Para o Ministério Público, a empresa era apenas a fachada utilizada pelo grupo. Embora formalmente registrada em nome de Rhayane Souza Fanaia, a denúncia sustenta que a Editora Avante era efetivamente comandada pela família Jafar, que teria assumido as atividades anteriormente desempenhadas pela Gráfica e Editora Alvorada, empresa já investigada por contratos semelhantes com o poder público.

Ainda conforme a denúncia, entre agosto de 2022 e setembro de 2024, a empresa recebeu mais de R$ 27 milhões de prefeituras de Mato Grosso do Sul. O Gaeco afirma que parte dos recursos era distribuída entre integrantes da organização, empresas ligadas ao grupo e servidores públicos, além da realização de sucessivos saques em dinheiro para dificultar o rastreamento dos valores. Somente nesse período, mais de R$ 9 milhões teriam sido retirados em espécie.

O Ministério Público também afirma que a organização contava com apoio de agentes públicos. Entre eles está o servidor estadual Ed Carlo Britto Burgatt, apontado como responsável por utilizar seu cargo para pressionar ou favorecer municípios em troca da contratação da Editora Avante mediante pagamento de propina. A denúncia ainda cita os servidores Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior e Inácio da Silva Espíndola como beneficiários de vantagens indevidas para direcionar procedimentos de contratação direta.

A Operação Gutenberg foi deflagrada em 7 de julho de 2026 e cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás. Durante a ação, foram apreendidos R$ 227 mil em dinheiro, além de mais de R$ 3 milhões em cheques, materiais que, segundo o Gaeco, reforçam a continuidade das atividades da organização criminosa.