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Denúncia aponta que grupo sacou mais de R$ 9 milhões em dinheiro durante fraude na Saúde de MS
Os valores eram retirados de forma fracionada próximo dos R$ 49 mil, para driblar o Coaf
O grupo que desviou mais de R$ 27 milhões da Saúde e da Educação de várias cidades sul-mato-grossenses fez diversos saques que totalizaram mais de R$ 9 milhões em dinheiro vivo. O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) apontou na denúncia, referente à Operação Gutenberg, que os saques faziam parte da estratégia para ocultar a origem e o destino dos valores obtidos com o suposto esquema de fraude em contratações de livros paradidáticos.
Conforme a denúncia, a principal empresa investigada, a Editora Avante, recebeu os valores entre agosto de 2022 e setembro de 2024. Após o ingresso dos recursos nas contas bancárias, o dinheiro era distribuído entre integrantes da organização, empresas ligadas ao grupo e retirado em espécie, segundo o Ministério Público.
As análises financeiras realizadas durante a investigação apontam que foram identificados saques que ultrapassam R$ 9 milhões, incluindo retiradas de aproximadamente R$ 2,18 milhões e R$ 3 milhões em dinheiro. Para o Gaeco, a elevada quantidade de operações em espécie é incompatível com a atividade empresarial declarada e demonstra uma tentativa de dificultar o rastreamento dos recursos.
A denúncia também afirma que parte dos saques era realizada de forma fracionada, em valores próximos de R$ 49 mil. Segundo o Ministério Público, a estratégia tinha o objetivo de evitar a comunicação obrigatória ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), mecanismo utilizado para identificar movimentações consideradas atípicas pelo sistema financeiro.
Ainda conforme o Gaeco, a quebra dos sigilos bancário e fiscal permitiu identificar que, após o recebimento dos pagamentos feitos pelas prefeituras, os valores eram pulverizados entre pessoas físicas e jurídicas ligadas aos investigados antes de serem convertidos em dinheiro vivo.
Os promotores sustentam que a movimentação financeira integra o funcionamento da organização criminosa denunciada na Operação Gutenberg. Ao todo, 17 pessoas foram denunciadas por crimes como organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em contratações públicas.