Polícia

há 2 horas

Policial é preso no Paraguai com 20 fuzis que seriam enviados ao Brasil, diz Senad (vídeo)

As armas apresentavam marcas da Guarda Civil da Espanha e deveriam ter sido destruídas anos atrás

30/07/2026 às 13:31 | Atualizado 30/07/2026 às 10:23 Brenda Souza
ABC Color

O suboficial lotado na subdelegacia de Acepar da Polícia Nacional do Paraguai, no departamento de Canindeyú, Tomás Alcides Trinidad Flecha, de 37 anos, foi preso na quarta-feira (29) suspeito de transportar cerca de 20 fuzis de guerra escondidos no compartimento secreto de um veículo. Segundo a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), as armas teriam como destino organizações criminosas no Brasil.

A prisão ocorreu na região de Santa Rita, no departamento de Alto Paraná, durante a Operação Ares, conduzida pela Senad.

De acordo com o ministro da Senad, Jalil Rachid, os agentes encontraram os armamentos escondidos em um sistema de fundo falso instalado no carro do policial. Entre as armas apreendidas estão fuzis dos modelos G3, FAL e CETME, todos de calibre 7,62 milímetros, considerados de uso militar.

Segundo as investigações iniciais, o carregamento seguia em direção a Ciudad del Este e, de lá, seria levado ao Brasil. A principal suspeita é de que os fuzis seriam entregues a facções criminosas que atuam no Rio de Janeiro.

Ainda conforme entrevista de Rachid ao site ABC Color, o policial utilizava uma rota alternativa, passando por estradas vicinais para evitar postos de fiscalização. As autoridades também afirmam que essa pode não ter sido a primeira viagem realizada pelo grupo criminoso.

"Acreditamos que esta seja, pelo menos, a terceira remessa utilizando o mesmo método de transporte e uma quantidade semelhante de armas", afirmou o ministro.

Armas deveriam ter sido destruídas

Durante entrevista, Jalil Rachid disse que os fuzis apreendidos não deveriam mais estar em circulação. Segundo ele, as armas apresentavam marcas da Guarda Civil da Espanha e deveriam ter sido destruídas anos atrás.

As investigações buscam esclarecer como os armamentos deixaram a Europa, chegaram ao Paraguai e acabaram sendo destinados ao mercado ilegal.

O ministro também informou que será solicitada cooperação internacional às autoridades da Espanha e do Brasil para identificar toda a cadeia de tráfico de armas e verificar se há participação de agentes públicos ou militares estrangeiros.

Valor pode chegar a US$ 400 mil

Segundo a Senad, cada fuzil apreendido vale cerca de US$ 10 mil no Paraguai. No mercado ilegal brasileiro, esse valor praticamente dobra, o que faria com que a carga apreendida pudesse atingir entre US$ 200 mil e US$ 400 mil.

As autoridades paraguaias também investigam se os armamentos já foram utilizados em outros crimes antes de serem apreendidos.

Até o momento, o policial preso não prestou declarações sobre o caso.

Your browser does not support HTML5 video.