Campo Grande

há 2 horas

Jovem que sofreu abusos do pai decide expor caso e faz alerta: 'Você não está sozinho' (vídeo)

Os abusos aconteciam de forma recorrente e eram acompanhados de manipulações e ameaças

09/08/2026 às 16:12 | Atualizado 09/08/2026 às 15:18 Sarai Brauna
reprodução/ @th3_4l13n

Maria Eduarda Cavalheiro decidiu tornar público o abuso sexual que sofreu durante a infância para incentivar outras vítimas a denunciarem seus agressores. Ela afirma ter sido abusada pelo próprio pai dos 5 até os 12 anos, em Campo Grande.

Segundo o relato da jovem, os abusos aconteciam de forma recorrente e eram acompanhados de manipulações e ameaças. Por ser criança e manter um forte vínculo com o pai, ela afirma que demorou a compreender completamente a gravidade do que estava acontecendo.

“Como alguém que tinha o papel de me proteger do mal faria algo ruim contra mim? Eu era uma criança. Eu só era uma criança”, relatou.

O medo de denunciar também era alimentado pelas ameaças, segundo ela. O pai dizia que poderia ser preso ou morto caso alguém descobrisse o que acontecia, além de questionar o afeto da filha.

Aos 12 anos, a jovem finalmente contou o que acontecia a uma amiga da escola. Orientada pela colega, decidiu contar à mãe. Ela estava sozinha em casa quando ligou para a mãe e revelou os abusos.

A mãe deixou o trabalho imediatamente e foi buscar a filha antes que o homem retornasse para casa. Depois que descobriu que havia sido denunciado, segundo a jovem, o pai deixou Campo Grande e foi para Cuiabá.

Durante os cinco anos seguintes à denúncia, conforme o relato da vítima, ele mudou de endereço e não respondeu às intimações da Justiça. Posteriormente, teve a prisão preventiva decretada e acabou preso.

‘Fale, grite, denuncie’

Atualmente, ela faz acompanhamento com psicólogo e psiquiatra e conta que ainda enfrenta dificuldades para confiar em homens por causa dos traumas deixados pela violência.

Mesmo diante das marcas deixadas pelo abuso, decidiu falar publicamente sobre o caso com um objetivo específico: incentivar outras vítimas a procurarem ajuda e denunciarem. “Se você passa por isso, você não está sozinho ou sozinha. Fale, grite, denuncie”, afirmou.

Para ela, expor a própria história é também uma forma de alertar sobre situações de violência sexual que podem permanecer escondidas dentro das próprias famílias.  “Por mais doloroso que seja, dê o seu relato. É importante que eles paguem pelo que fizeram”, disse.

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