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Tabagismo passivo: fumaça do cigarro também coloca não fumantes em risco
Pneumologista alerta para os efeitos da fumaça e das substâncias do cigarro, principalmente sobre crianças e idosos
Muito comum entre jovens e adultos, o uso de cigarro pode causar diversos problemas de saúde, porém, não apenas para quem está fumando, mas para todos os que estão expostos à fumaça produzida.
Para Gilson Conceição Marcelino Júnior, de 24 anos, conviver com pessoas fumantes é uma realidade todas as vezes que decide sair para atividades de lazer em Campo Grande. Segundo ele, os lugares em que costuma frequentar são majoritariamente destinados ao público jovem, que faz o uso de cigarros tradicionais e eletrônicos, inclusive os seus amigos.
"Praticamente todo lugar que eu frequento tem fumantes, seja cigarro, narguilé, cigarro eletrônico, dentro de casa e fora. Meu irmão fuma desde os 16 anos de idade, meus amigos fumam também e geralmente em bares, no parque, é onde a maioria das pessoas se sente à vontade fumando em público".
Segundo o analista de marketing digital, um dos problemas que mais o incomoda é o cheiro do cigarro, e por isso ele até prefere quando as pessoas estão fazendo uso de cigarros eletrônicos, por terem cheiros mais agradáveis.
"Cigarro me incomoda bastante, eu detesto o cheiro, tem cheiro de morte, mas as outras coisas geralmente têm sabor, então estar perto é tranquilo. A fumaça em si não me incomoda, apenas o cheiro de algumas coisas".
O jovem afirmou que é consciente dos riscos de estar em ambientes com tantos fumantes, mas diz também ter consciência de que os lugares que frequenta são abertos a essa publicidade, então ninguém está fazendo nada de errado, apesar do incômodo gerado.
"Não gosto de fumar, me incomoda e sei os males que causam, mesmo sem 'fumar diretamente'. Geralmente, quando posso, eu saio de perto ou peço para a pessoa se afastar de mim, caso eu esteja no meu direito".
O jovem afirma que não acredita que seja um problema que as pessoas fumem em espaços abertos, mas que alguns lugares fechados deveriam pensar em criar mais espaços para que as pessoas pudessem fumar sem incomodar os demais clientes.
Riscos do tabagismo passivo
De acordo com a médica pneumologista Andrea Cunha, pessoas que convivem com fumantes estão expostas aos mesmos riscos de quem faz o consumo de cigarros. A médica afirma que, ao estar no mesmo ambiente que um fumante, a pessoa que não fuma está exposta também a algumas substâncias presentes nos cigarros.
"Então o tabagismo passivo pode favorecer DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), que é a bronquite do cigarro, pode favorecer enfisemas, câncer no pulmão e a pessoa fica sujeita aos mesmos riscos de outras doenças como câncer em qualquer outra parte do corpo. Então ela também está sujeita aos efeitos do tabaco tradicional".
Andrea Cunha atua na área há mais de 20 anos e afirmou que os riscos do tabagismo passivo são maiores para crianças e idosos. Segundo a médica, apesar de a exposição ter diminuído com todas as campanhas de conscientização existentes, esse público é o mais vulnerável, principalmente quando os responsáveis são fumantes.
"Crianças sofrem muito, até porque tem muitos pais que acham que, fumando lá fora e vindo com a roupa que fumou, não tem problema, mas isso traz junto ali várias substâncias que se depositam sobre a roupa da pessoa, e a criança toca no pai, toca na mãe, põe a mão na boca e acaba se intoxicando também com a nicotina." Ou o próprio cheiro que vem na roupa também é um fator irritativo das vias aéreas".
Segundo a médica, já foi comprovado que quem convive com fumantes tem mais chances de desenvolver doenças pulmonares e, no caso de crianças, atraso no desenvolvimento.
"Já está comprovado que crianças de pais fumantes têm mais asma, pneumonia, infecções respiratórias das vias aéreas de repetição." Então isso já está comprovado. Se o pai fuma, a chance de ter esse problema é um, e se a mãe fuma, a chance é maior ainda pela proximidade que as crianças geralmente têm com as mães".
A médica afirma que, mesmo em casos em que não tenha o desenvolvimento de doenças, as crianças ainda podem ter um desenvolvimento abaixo do adequado.