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SUS interrompe tratamento de criança e mãe precisa fazer empréstimo para cirurgia de filho
A mãe agora precisa arrecadar R$ 40 mil para conseguir pagar o empréstimo e arcar com as despesas de fisioterapia
Em tratamento há mais de três anos, Lucas Morais, de 14 anos, passou por diversas complicações após sofrer um acidente em janeiro de 2023. O início do tratamento foi complicado devido à gravidade de seus ferimentos. Na época do acidente, Lucas ainda era uma criança e sofreu múltiplas fraturas no fêmur, além de perder o calcanhar.
Segundo a mãe de Lucas, Michelly Morais, o filho teve uma boa recuperação do fêmur, mas o tratamento do calcanhar teve diversas complicações. Segundo a mãe, a primeira solução foi fazer uma enxertia no local, utilizando uma parte da pele da panturrilha.
O tratamento funcionou durante um tempo, mas logo o cipro da criança rejeitou o enxerto e o local necrosou. Lucas voltou a ser internado na Santa Casa de Campo Grande em 2024, local onde fazia tratamento desde a data do acidente. Com o suporte médico, o adolescente passou a realizar um novo tratamento que consistia em cirurgias de adição de tecido adiposo no calcanhar, até a recuperação completa.
"Ele pensou na tentativa da lipoenxertia, que ia retirar gordura de alguma parte do abdômen e inserir no calcanhar. Seriam cirurgias seriadas, né, várias. Então, a primeira foi em julho de 2024, a outra em agosto, mas a de setembro não aconteceu porque algumas equipes da Santa Casa entraram em paralisação".
Segundo Michelly, nos meses seguintes ela continuou tentando um retorno da equipe para saber quando o tratamento teria resultado. Em dezembro de 2024, ela foi avisada pelo médico que acompanhava o caso de seu filho de que não seria possível dar continuidade ao tratamento, uma vez que as cirurgias deveriam ter acontecido em sequência, mas haviam sido interrompidas.
A equipe médica que acompanhava o caso informou a Michely que a última solução para o seu filho seria realizar uma microcirurgia, porém o SUS não poderia realizá-la por falta do equipamento necessário.
"O médico avaliou toda a situação e falou que, pelo SUS, aqui no estado, não teria mais o que fazer. Ele disse que o calcanhar já havia sido muito mexido, que já haviam sido feitos vários procedimentos e nada aconteceu, e que a microcirurgia seria a única solução mesmo".
A família de Lucas entrou na justiça para conseguir custear a cirurgia em tratamento particular, que custaria R$ 340 mil, mas, mesmo depois de um ano, o processo ainda não teve uma conclusão.
O adolescente conseguiu se adaptar à falta de calcanhar, porém passou a andar na ponta do pé. A adaptação prejudicou o desenvolvimento da musculatura da perna, provocou o encurtamento do tendão e um problema no joelho, que impedia a criança de se levantar, correr e realizar algumas atividades básicas sem dificuldades devido ao joelho "tavar".
"Meu filho passou a reclamar no ano passado de que o joelho dele estaria 'travando', e no início conseguíamos resolver a situação com massagens; porém, em uma aula de educação física, ele tentou chutar uma bola e não conseguiu levantar mais após sentar. Levamos ele ao médico e descobrimos que o menisco dele havia sido completamente rompido no acidente".
O menisco é uma estrutura de fibrocartilagem em formato de meia-lua localizada no joelho, entre o fêmur e a tíbia. Devido à gravidade do problema, a família se viu sem saída, a não ser realizar um empréstimo para conseguir custear uma cirurgia particular.
"Nós fizemos empréstimos para conseguir os R$ 30 mil necessários para essa cirurgia, mas, com os custos da continuidade do tratamento, nós precisamos de R$ 40 mil para conseguir parar o empréstimo e arcar com todas as sessões de fisioterapia que ele vai precisar."
A família pede para quem possa ajudar que doe qualquer valor ou ajude comprando a rifa. Doações podem ser feitas pelo PIX (67) 9 9114-2585. "Sem o tratamento, há o risco de uma nova necrose".