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Quadrilha que fraudou R$ 4 milhões com falsas consultas em Nioaque queria expandir 'negócio' por MS
O grupo criminoso é formado por agentes públicos e privados, que usavam documentos falsificados para comprovar a realização de consultas e exames que nunca aconteceram
O grupo criminoso que teria desviado mais de R$ 4 milhões da saúde de Nioaque, a cerca de 180 km de Campo Grande, com consultas fantasmas, pensava em expandir o negócio para outras cidades do Mato Grosso do Sul. Os detalhes foram compartilhados pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), durante a segunda fase da Operação “Auditus”, deflagrada nesta quinta-feira (13).
Ao todo, são cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão em Nioaque, Bonito, Jardim, Bela Vista e Guia Lopes da Laguna. A investigação é conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), pelo Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e pela 1ª Promotoria de Justiça de Nioaque.
Os investigadores apontam ainda que o grupo, formado por agentes públicos e privados, teria usado documentos falsificados para comprovar a realização de consultas e exames que, segundo a apuração, nunca aconteceram.
Além de investigar as fraudes em Nioaque, o MPMS apura se o grupo passou a tentar levar o mesmo esquema para outras cidades de Mato Grosso do Sul.
Segundo o Ministério Público, os elementos reunidos apontam que a organização estaria atuando para expandir as atividades criminosas para outros municípios, o que indicaria continuidade do esquema.
Os mandados desta quinta-feira são cumpridos justamente em cinco cidades: Nioaque, Bonito, Jardim, Bela Vista e Guia Lopes da Laguna.
O material apreendido durante a operação será analisado pelos investigadores para verificar a participação de outras pessoas e se houve, de fato, a reprodução do esquema em outros municípios.
Esquema
A investigação começou a partir de suspeitas de fraude em licitações realizadas pela Prefeitura de Nioaque para contratar uma empresa responsável por consultas, exames e procedimentos médicos.
Segundo o MPMS, inicialmente eram simulados exames auditivos. O método teria sido ampliado posteriormente para outros exames e serviços médicos. Após a análise de documentos e outros materiais apreendidos na primeira fase da operação, realizada em julho de 2025, foram encontrados indícios de um esquema estruturado para direcionar contratos, registrar serviços médicos que não teriam sido realizados e desviar recursos públicos.
Os investigadores apontam ainda que o grupo, formado por agentes públicos e privados, teria usado documentos falsificados para comprovar a realização de consultas e exames que, segundo a apuração, nunca aconteceram.
Conforme o Ministério Público, os gastos da Prefeitura de Nioaque com os serviços médicos investigados aumentaram 1.713% entre 2022 e 2025, período em que teriam ocorrido as contratações fraudulentas.
A investigação aponta que 83% dos exames e consultas pagos pelo município teriam sido simulados. O prejuízo aos cofres públicos é estimado em mais de R$ 4 milhões.
O nome “Auditus” vem do latim e significa “audição”, em referência a essa primeira forma de fraude identificada pelos investigadores.