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há 2 horas

Advogado alvo da PF recebeu títulos de Cidadão Campo-Grandense e Douradense em MS

Nelson Wilians é investigado em operação que apura suposto esquema de R$ 1 bilhão envolvendo apostas esportivas

14/08/2026 às 09:11 | Atualizado 14/08/2026 às 09:21 Brenda Souza
Advogado Nelson Wilians - Reprodução

O advogado Nelson Wilians, alvo de uma nova operação da Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (13), já recebeu dois títulos de cidadão em Mato Grosso do Sul. Ele foi homenageado como Cidadão Campo-Grandense, em 2021, e Cidadão Douradense, em 2025.

Wilians recebeu o título de Cidadão Campo-Grandense em agosto de 2021, durante solenidade da Câmara Municipal em comemoração ao aniversário da Capital. Na ocasião, também recebeu uma honraria de mérito.

(Foto: Isaias Medeiros)

Em agosto de 2025, o advogado foi homenageado novamente, desta vez pela Câmara de Dourados, onde recebeu o Título de Cidadão Douradense. A homenagem em Dourados foi concedida em reconhecimento à atuação jurídica do escritório Nelson Wilians Advogados (NWADV) no município.

(Reprodução/Redes Sociais)

As homenagens ocorreram antes da operação deflagrada nesta quinta-feira e não indicam qualquer envolvimento das Câmaras Municipais nas investigações.

Investigação

A nova operação, chamada Operação Arena, investiga um grupo empresarial suspeito de utilizar estruturas financeiras e societárias no Brasil e no exterior para movimentar dinheiro relacionado a apostas esportivas e jogos de azar.

Segundo a Receita Federal, o grupo teria movimentado cerca de R$ 1 bilhão. A investigação apura suspeitas de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Nesta quinta-feira, agentes cumpriram um mandado de busca e apreensão na mansão de Wilians, em São Paulo. Ao todo, são 17 mandados em cinco estados: Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná.

A Justiça também autorizou a quebra dos sigilos bancário e telemático dos investigados e o sequestro de bens e valores de até R$ 1,1 bilhão.

De acordo com a Receita Federal, o grupo investigado teria criado uma estrutura empresarial e financeira complexa, inclusive com operações no exterior, para dar aparência de que as atividades relacionadas às apostas eram conduzidas fora do Brasil.

A suspeita é de que, apesar da estrutura internacional, a gestão operacional e as decisões do grupo ocorressem em território brasileiro.

Uma das empresas citadas na investigação é a Pixbet, que já patrocinou clubes de futebol como Corinthians e Flamengo.

A defesa de Nelson Wilians afirmou que a relação entre o escritório e a empresa de apostas é “estritamente profissional”, decorrente da prestação de serviços jurídicos.

“O escritório repudia qualquer tentativa de associar a atuação profissional de seus advogados às atividades ou condutas atribuídas a seus clientes”, afirmou a defesa.

Os advogados também disseram que é preciso cautela para que o exercício da advocacia não seja criminalizado em razão das atividades dos clientes representados.

Outras operações

A Operação Arena não é a primeira investigação a atingir Nelson Wilians.

Em julho deste ano, ele foi alvo de mandados de busca e apreensão em uma operação do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (Cira/SP).

O advogado também é investigado no caso de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Em setembro de 2025, a casa e o escritório de Wilians foram alvo de buscas durante a Operação Cambota, segunda fase da Operação Sem Desconto, que apura um esquema envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários.

Segundo a PF, os investigados na Operação Arena poderão responder, conforme a participação de cada um, por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.