Saúde

há 58 minutos

Médica descarta cirurgia e idoso sofre com feridas abertas nas pernas em Campo Grande

Aposentado gasta até R$ 600 por mês para cuidar de feridas que não cicatrizam

18/08/2026 às 07:00 | Atualizado 17/08/2026 às 15:38 Dayane Medina
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Tratando feridas abertas nos pés há cerca de 6 anos, o aposentado Juraci Nicolau, 73 anos, convive diariamente com dores e já não sabe mais a quem recorrer para conseguir o tratamento adequado, em Campo Grande.

Segundo a filha do idoso, Letícia Nicolau, diz que o pai faz tratamento há anos, mas as lesões não cicatrizam e uma cirurgia de varizes que chegou a ser cogitada acabou descartada pela médica responsável pelo acompanhamento.

As feridas ficam próximas aos tornozelos, nas duas pernas, e seriam decorrentes de problemas de circulação e varizes. O idoso não é diabético, porém as feridas não melhoram.

“Ele não aguenta mais de dor. É dia e noite, ele chora de dor. A gente queria uma posição do que vai acontecer, porque ele foi liberado para casa, mas não está aguentando”, relata a filha.

Segundo Letícia, o pai realiza acompanhamento médico e havia a expectativa de passar por uma cirurgia de varizes. No entanto, ela afirma que o procedimento foi descartado após avaliação médica.

“Era para ele passar por uma cirurgia de varizes, porém a doutora descartou. Disse que não vai fazer mais a cirurgia porque as feridas estão bonitas. Só que ele não aguenta de dor”, conta.

A filha afirma que, apesar do acompanhamento e do uso de medicamentos, o quadro continua causando sofrimento ao aposentado. Segundo ela, Juraci já tem dificuldade até mesmo para apoiar os pés no chão devido às dores.

“Ele não aguenta nem pisar no chão de dor. As feridas são muito grandes. A gente vai em um médico, vai em outro e ninguém resolve. Elas não curam, ficam constantes”, afirma.

Ainda conforme a família, o idoso utiliza medicamentos como dipirona e tramadol para controlar a dor, mas os remédios já não são suficientes. 

Sem insumo na rede pública

Além das dificuldades relacionadas ao tratamento, a família aponta problemas para conseguir materiais necessários aos curativos. Juraci mora sozinho, paga aluguel e realiza boa parte dos cuidados em casa, com auxílio dos familiares.

Letícia conta que a família já procurou a unidade de saúde próxima à residência do aposentado, mas nem sempre teria encontrado materiais disponíveis para realizar os curativos.

“Às vezes eu faço curativo nele ou a gente compra os materiais, porque o posto não fornece tudo. Tem vez que nem dipirona tem e a gente precisa comprar também”, relata.

Segundo a filha, a família chega a gastar entre R$ 500 e R$ 600 por mês com gaze, soro fisiológico, produtos utilizados nos curativos e medicamentos para dor. 

A reportagem entrou em contato com a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande) e solicitou esclarecimentos sobre o atendimento prestado ao paciente, a continuidade do tratamento e a disponibilidade de materiais para realização dos curativos na rede municipal e aguarda retorno.