Polícia

há 22 minutos

Grupo é suspeito de desviar mais de R$ 1 milhão em internações pagas pelo poder público em MS

O alvo dos criminosos eram internações de dependentes químicos

18/08/2026 às 13:31 | Atualizado 18/08/2026 às 12:38 Brenda Souza
PCMS

A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira (18) a Operação Cura Terapêutica, que investiga um grupo suspeito de fraudar serviços de internação de dependentes químicos pagos com recursos públicos em Mato Grosso do Sul. Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em Dourados, Fátima do Sul, Deodápolis, Glória de Dourados e Ponta Porã.

A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 1 milhão em bens e valores dos investigados.

Segundo a Deccor (Delegacia Especializada de Combate à Corrupção), a investigação começou há pouco mais de um ano e aponta que empresas que apareciam formalmente como diferentes teriam, na prática, vínculos entre si e atuariam de forma coordenada.

Ao todo, 13 pessoas físicas e jurídicas são investigadas por suspeita de crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A polícia apura ainda se estabelecimentos ligados ao grupo ofereciam internações para dependentes químicos sem cumprir os requisitos técnicos para serem considerados clínicas especializadas. Fiscalizações identificaram problemas como falta de alvarás sanitários, ausência de equipe técnica mínima e precariedade nas instalações.

A investigação também levantou suspeitas sobre a forma como os serviços eram contratados. Conforme a decisão judicial, empresas ligadas ao mesmo grupo teriam apresentado propostas em procedimentos de contratação e orçamentos usados em processos judiciais para custear internações, mesmo havendo indícios de que eram controladas pelas mesmas pessoas.

Em uma amostra de 66 processos judiciais dos anos de 2023 e 2024, nos quais foram identificados repasses de dinheiro público, a investigação estimou uma vantagem econômica superior a R$ 1 milhão relacionada às contratações sob suspeita.

Os investigadores também encontraram movimentações financeiras consideradas atípicas entre as pessoas e empresas investigadas, com indícios de concentração e redistribuição de recursos. A suspeita é de que essas operações possam estar relacionadas à lavagem de dinheiro.

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais encontraram uma pessoa que estaria em cárcere privado. Também foram apreendidas três armas de fogo, munições, medicamentos de uso controlado irregulares, cartões bancários em nome de terceiros e documentos.

Três pessoas foram presas em flagrante e autuadas por posse irregular de arma de fogo, tráfico de drogas, sequestro e cárcere privado.

A operação mobilizou 36 policiais civis, com apoio de equipes do Departamento de Polícia Especializada (DPE), Departamento de Polícia do Interior (DPI), Garras, Defron e das delegacias regionais de Ponta Porã e Fátima do Sul, além das delegacias de Glória de Dourados e Deodápolis.

A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, a Vigilância Sanitária e o Conselho Regional de Farmácia também participaram da ação.

As investigações continuam para identificar a participação de cada suspeito e esclarecer o destino dos recursos públicos.