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Campo Grande faz 127 anos sem hospital municipal prometido em campanha (vídeo)
Nova área ainda vai ser definida, enquanto povo sofre com falta de leitos na cidade
Projeto do Hospital Municipal de Campo Grande, o HMCG, nem no papel está. A estrutura seria um belo presente de aniversário dos 127 anos de Campo Grande, mas segue sem qualquer estimativa de entrega. O detalhe é que a população amarga falta de leitos, remédios e exames pelo SUS e o prédio foi compromisso de campanha.
O TopMídiaNews consultou o site da Justiça Eleitoral, onde a gestora registrou o plano de governo para 2025-2028. Nele, consta o projeto do ''Complexo Hospitalar de Campo Grande''. A prefeita prometeu colocar em operação uma estrutura ''moderna e inovadora'' a ser erguida no modelo ''Built to Suit'', que disse ser adaptada para as necessidades de Campo Grande.
À Justiça, Adriane disse que o complexo garantiria ao campo-grandense salas de diagnósticos, 188 leitos de enfermaria, 20 CTIs, 10 salas de cirurgias e 49 leitos de pronto atendimento. Tudo isso para comportar exames laboratoriais, cateterismo, biópsias, ressonâncias, colonoscopia, endoscopia, especialidades cardiológicas, neurologia, o almologia, pneumologista, entre outros.
''O Complexo Hospitalar será um Centro de Ensino e Pesquisa na saúde e referência assistencial nos níveis secundário e terciário e terá capacidade para atender 1,5 mil pessoas/dia'', prometeu a então candidata em meados de 2024.
Hospital foi compromisso de campanha (Foto: reprodução TSE)
Expectativa x expectativa
No entanto, o que era expectativa continua sendo algo a se esperar. Pensado para ser erguido em uma área no Bairro Chácara Cachoeira, com 15 mil metros quadrados de área construída, nem o local já é mais o mesmo. Aliás, ainda não tem área definida para fazer o HMCG e duas licitações abertas restaram infrutíferas. O custo? R$ 842 milhões, sendo com a construção, equipamentos e a locação por 20 anos, à época. O Município iria despender cerca de R$ 5 milhões ao mês.
O mais recente posicionamento da prefeitura dá conta que o hospital permanece como ''prioridade da administração''. Porém, o projeto está em fase de reavaliação técnica, com objetivo de definir o modelo mais adequado para a execução.
''Os encaminhamentos relacionados ao projeto serão conduzidos em conjunto com as instâncias competentes e amplamente discutidos com o Conselho Municipal de Saúde e Câmara Municipal, antes da definição das próximas etapas'', respondeu a Secretaria de Saúde.
Paciente com crise renal esperou dias para ter vaga em hospital (Foto: Repórter Top)
Sofrência
Enquanto o prédio não é construído, a população sofre com a falta de leitos hospitalares. O TopMídiaNews mostrou, em abril deste ano, o drama de uma mulher, que ficou na UPA Leblon por uma semana, até ser encaminhada para hospital. O detalhe é que ela sofria de crise renal e a transferência foi feita após reportagem no site.
Outro
Em 13 de julho, o site mostrou o sofrimento de Rosilene Borges da Silva, 45 anos. Ela ficou, ao menos, 15 dias na UPA Moreninha esperando vaga em hospital, sofrendo de osteonecrose. A vítima não estava suportando as dores nem com uso de morfina.
Usuários de UPA, Maria Aparecida e Luis dizem que hospital seria fundamental (Foto: Alice Assis)
Precisa muito
A reportagem ouviu Maria Aparecida Fernandez, 56 anos. Ela se mostrou incrédula com a chance do hospital entrar em operação e sugeriu que o assunto vem à tona em períodos de campanha eleitoral.
''Essa prefeita deixa a desejar'', bradou Maria Aparecida apontando para dentro da UPA Universitária, onde o marido estava acamado.
Luis Chaves, 62 anos, outro pagador de impostos, refletiu sobre a necessidade da estrutura para a cidade, inclusive acredita ser mais seguro para a população ter um hospital do Município. Disse não ter ouvido nem mesmo a promessa da campanha de 2024, apenas lamenta que a Saúde seja um dos setores mais afetados da atual gestão.