Nem no papel está!

há 1 hora

Campo Grande faz 127 anos sem hospital municipal prometido em campanha (vídeo)

Nova área ainda vai ser definida, enquanto povo sofre com falta de leitos na cidade

26/08/2026 às 09:30 | Atualizado 25/08/2026 às 11:21 Thiago de Souza
Hospital seria no Chácara Cachoeira - GSV e PMCG

Projeto do Hospital Municipal de Campo Grande, o HMCG, nem no papel está. A estrutura seria um belo presente de aniversário dos 127 anos de Campo Grande, mas segue sem qualquer estimativa de entrega. O detalhe é que a população amarga falta de leitos, remédios e exames pelo SUS e o prédio foi compromisso de campanha.  

O TopMídiaNews consultou o site da Justiça Eleitoral, onde a gestora registrou o plano de governo para 2025-2028. Nele, consta o projeto do ''Complexo Hospitalar de Campo Grande''. A prefeita prometeu colocar em operação uma estrutura ''moderna e inovadora'' a ser erguida no modelo ''Built to Suit'', que disse ser adaptada para as necessidades de Campo Grande. 

À Justiça, Adriane disse que o complexo garantiria ao campo-grandense salas de diagnósticos, 188 leitos de enfermaria, 20 CTIs, 10 salas de cirurgias e 49 leitos de pronto atendimento. Tudo isso para comportar exames laboratoriais, cateterismo, biópsias, ressonâncias, colonoscopia, endoscopia, especialidades cardiológicas, neurologia, o almologia, pneumologista, entre outros. 

''O Complexo Hospitalar será um Centro de Ensino e Pesquisa na saúde e referência assistencial nos níveis secundário e terciário e terá capacidade para atender 1,5 mil pessoas/dia'', prometeu a então candidata em meados de 2024.

Hospital foi compromisso de campanha (Foto: reprodução TSE)

Expectativa x expectativa 

No entanto, o que era expectativa continua sendo algo a se esperar. Pensado para ser erguido em uma área no Bairro Chácara Cachoeira, com 15 mil metros quadrados de área construída, nem o local já é mais o mesmo. Aliás, ainda não tem área definida para fazer o HMCG e duas licitações abertas restaram infrutíferas. O custo? R$ 842 milhões, sendo com a construção, equipamentos e a locação por 20 anos, à época. O Município iria despender cerca de R$ 5 milhões ao mês. 

O mais recente posicionamento da prefeitura dá conta que o hospital permanece como ''prioridade da administração''.  Porém, o projeto está em fase de reavaliação técnica, com objetivo de definir o modelo mais adequado para a execução. 

''Os encaminhamentos relacionados ao projeto serão conduzidos em conjunto com as instâncias competentes e amplamente discutidos com o Conselho Municipal de Saúde e Câmara Municipal, antes da definição das próximas etapas'', respondeu a Secretaria de Saúde. 

Paciente com crise renal esperou dias para ter vaga em hospital (Foto: Repórter Top)

Sofrência 

Enquanto o prédio não é construído, a população sofre com a falta de leitos hospitalares.  O TopMídiaNews mostrou, em abril deste ano, o drama de uma mulher, que ficou na UPA Leblon por uma semana, até ser encaminhada para hospital. O detalhe é que ela sofria de crise renal e a transferência foi feita após reportagem no site. 

Outro 

Em 13 de julho, o site mostrou o sofrimento de Rosilene Borges da Silva, 45 anos. Ela ficou, ao menos, 15 dias na UPA Moreninha esperando vaga em hospital, sofrendo de osteonecrose. A vítima não estava suportando as dores nem com uso de morfina.

Usuários de UPA, Maria Aparecida e Luis dizem que hospital seria fundamental (Foto: Alice Assis)

Precisa muito 

A reportagem ouviu Maria Aparecida Fernandez, 56 anos. Ela se mostrou incrédula com a chance do hospital entrar em operação e sugeriu que o assunto vem à tona em períodos de campanha eleitoral. 

''Essa prefeita deixa a desejar'', bradou Maria Aparecida apontando para dentro da UPA Universitária, onde o marido estava acamado. 

Luis Chaves, 62 anos, outro pagador de impostos, refletiu sobre a necessidade da estrutura para a cidade, inclusive acredita ser mais seguro para a população ter um hospital do Município. Disse não ter ouvido nem mesmo a promessa da campanha de 2024, apenas lamenta que a Saúde seja um dos setores mais afetados da atual gestão. 

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