Presente de Aniversário

há 59 minutos

Operação por fraude de R$ 1,2 mi no IMPCG foi deflagrada às vésperas do Aniversário de Campo Grande

Os policiais chegaram a ameaçar arrombar a sala da secretária da SAS, Camila Nascimento, durante a manhã de hoje

25/08/2026 às 10:11 | Atualizado 25/08/2026 às 10:27 Brenda Souza
Servidores do IMPCG foram alvos da operação - Divulgação PF

Campo Grande está ganhando de ‘presente de aniversário’ uma operação da Polícia Federal para investigar a suspeita de corrupção que desviou R$ 1,2 milhão do IMPCG (Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande), por meio de investimentos no Banco Master. Um dos alvos seria a vice-prefeita e secretária da SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social), Camila Nascimento.

A Operação Presciência, deflagrada na manhã desta terça-feira (25), investiga suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos. A ação ocorre um dia antes do aniversário de 127 anos da Capital.

Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em Campo Grande. A Justiça Federal também autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados. As medidas foram determinadas pela 3ª Vara Federal de Campo Grande.

A investigação começou a partir de um relatório de auditoria elaborado pela Coordenação-Geral de Auditoria do Departamento dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), do Ministério da Previdência Social. O documento apontou possíveis falhas no processo que levou à aplicação dos recursos previdenciários.

Segundo a PF, há indícios de que servidores envolvidos na decisão, por ações ou omissões, podem ter deixado de seguir procedimentos técnicos e administrativos necessários para a aplicação do dinheiro. A suspeita é de que as condutas tenham exposto o patrimônio do regime previdenciário municipal a riscos.

O inquérito apura, em tese, os crimes de gestão temerária, corrupção passiva e corrupção ativa.

PF esteve na Secretaria de Assistência Social

Agentes federais chegaram por volta das 5h ao prédio da Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS), onde recolheram materiais de diferentes salas. Segundo um áudio obtido pelo TopMídiaNews, os policiais solicitaram acesso a ambientes da pasta e informaram que poderiam arrombar as portas da caso elas não fossem abertas.

Um dos locais acessados pelos agentes foi o gabinete da secretária de Assistência Social e vice-prefeita de Campo Grande, Camila Nascimento. À época em que o investimento foi realizado, ela presidia o IMPCG.

Após a quebra do banco envolvido na operação, Camila chegou a prestar esclarecimentos à Câmara Municipal sobre a aplicação dos recursos. Na ocasião, afirmou que, apesar de alertas existentes sobre a instituição financeira, não considerava que o investimento representasse um risco.

O investimento passou a ser questionado após a crise envolvendo o banco. Desde então, o município tenta recuperar o dinheiro aplicado.

O atual presidente do IMPCG, Marcos Tabosa, afirmou anteriormente que os R$ 1,2 milhão poderiam ser recuperados em até três meses após medidas judiciais para bloquear os pagamentos e garantir o ressarcimento.

Quase um ano depois, porém, o dinheiro ainda não teria sido devolvido aos cofres do instituto.

Além da investigação sobre a aplicação dos recursos previdenciários, a reportagem apurou que aposentados e pensionistas do município que contrataram empréstimos vinculados ao banco continuam tendo os valores descontados dos benefícios.

A PF não informou, até o momento, quem são todos os investigados, nem detalhou o que foi apreendido durante o cumprimento dos mandados.

A Secretaria Municipal de Assistência Social informou que deve se manifestar sobre a operação após tomar conhecimento dos detalhes da ação.