Política

há 20 minutos

Além de R$ 1,2 milhão, prefeitura e vice expuseram servidores ao consignado do Master

Vereadora crê que modalidade de empréstimo também será investigado pela PF

25/08/2026 às 18:10 | Atualizado 25/08/2026 às 17:32 Thiago de Souza
Camilla autorizou investimento - Reprodução Instagram

Servidores municipais de Campo Grande foram expostos a grande risco, quando a prefeitura autorizou o Banco Master a oferecer empréstimo consignado aos trabalhadores da Capital. O banco foi encerrado após operações suspeitas e o dono, Daniel Vorcado, está preso. 

O tema está relacionado à aplicação de R$ 1,2 milhão que o Instituto Municipal de Previdência Social, o IMPCG, fez ao Master, em 2024, mesmo com pareceres contrários. À época, a diretora-presidente era Camilla Nascimento, hoje vice-prefeita e secretária de Assistência Social. 

Além da cifra milionária, o banco de Vorcaro conseguiu autorização para operar o consignado na Cidade. Ou seja, com dinheiro descontado em folha, o risco de calote era bem menor. A liberação da instituição financeira foi igualmente questionada. A retenção mensal com o empréstimo na folha de pagamento era de R$ 1,4 mihão. 

Vice-prefeita foi alvo principal da operação (Foto: Instagram e Repórter Top)

Em audiência na Câmara Municipal, em julho deste ano, a vereadora Luiza Ribeiro expôs reclamação de servidores que davam conta de cobranças que permaneciam por longos períodos e descontos de cartões consignados, mesmo sem a utilização dos serviços pelos beneficiários.

A parlamentar denunciou o caso dos consignados e crê que essa modalidade de empréstimo também será alvo de apuração da polícia. 

Bloqueio 

O Município garante que o R$ 1,2 milhão investido no banco fraudulento já foi recuperado, inclusive com o rendimento, de R$ 227 mil. Mas isso só foi possível porque o Município, autorizado pela Justiça, reteve cerca de R$ 1,4 milhão referente aos empréstimos dos servidores que era repassado ao Master mensalmente. 

Presciência

O nome da operação é Presciência, que apura fraude em aplicação financeira de R$ 1,2 milhão do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande, o IMPCG ao Banco Master.

Nascimento é suspeita de crimes como corrupção passiva, gestão temerária e corrupção ativa.  Ela era diretora-presidente do Instituto quando o aporte milionário fora feito em um banco que já era suspeito por maus feitos. 

Toc Toc Toc...

Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em Campo Grande, determinadas pela 3ª Vara Federal de Campo Grande.

A investigação começou a partir de um relatório de auditoria elaborado pela Coordenação-Geral de Auditoria do Departamento dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), do Ministério da Previdência Social. O documento apontou possíveis falhas no processo que levou à aplicação dos recursos previdenciários.

Segundo a PF, há indícios de que servidores envolvidos na decisão, por ações ou omissões, podem ter deixado de seguir procedimentos técnicos e administrativos necessários para a aplicação do dinheiro. A suspeita é de que as condutas tenham exposto o patrimônio do regime previdenciário municipal a riscos.