há 20 minutos
Além de R$ 1,2 milhão, prefeitura e vice expuseram servidores ao consignado do Master
Vereadora crê que modalidade de empréstimo também será investigado pela PF
Servidores municipais de Campo Grande foram expostos a grande risco, quando a prefeitura autorizou o Banco Master a oferecer empréstimo consignado aos trabalhadores da Capital. O banco foi encerrado após operações suspeitas e o dono, Daniel Vorcado, está preso.
O tema está relacionado à aplicação de R$ 1,2 milhão que o Instituto Municipal de Previdência Social, o IMPCG, fez ao Master, em 2024, mesmo com pareceres contrários. À época, a diretora-presidente era Camilla Nascimento, hoje vice-prefeita e secretária de Assistência Social.
Além da cifra milionária, o banco de Vorcaro conseguiu autorização para operar o consignado na Cidade. Ou seja, com dinheiro descontado em folha, o risco de calote era bem menor. A liberação da instituição financeira foi igualmente questionada. A retenção mensal com o empréstimo na folha de pagamento era de R$ 1,4 mihão.
Vice-prefeita foi alvo principal da operação (Foto: Instagram e Repórter Top)
Em audiência na Câmara Municipal, em julho deste ano, a vereadora Luiza Ribeiro expôs reclamação de servidores que davam conta de cobranças que permaneciam por longos períodos e descontos de cartões consignados, mesmo sem a utilização dos serviços pelos beneficiários.
A parlamentar denunciou o caso dos consignados e crê que essa modalidade de empréstimo também será alvo de apuração da polícia.
Bloqueio
O Município garante que o R$ 1,2 milhão investido no banco fraudulento já foi recuperado, inclusive com o rendimento, de R$ 227 mil. Mas isso só foi possível porque o Município, autorizado pela Justiça, reteve cerca de R$ 1,4 milhão referente aos empréstimos dos servidores que era repassado ao Master mensalmente.
Presciência
O nome da operação é Presciência, que apura fraude em aplicação financeira de R$ 1,2 milhão do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande, o IMPCG ao Banco Master.
Nascimento é suspeita de crimes como corrupção passiva, gestão temerária e corrupção ativa. Ela era diretora-presidente do Instituto quando o aporte milionário fora feito em um banco que já era suspeito por maus feitos.
Toc Toc Toc...
Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em Campo Grande, determinadas pela 3ª Vara Federal de Campo Grande.
A investigação começou a partir de um relatório de auditoria elaborado pela Coordenação-Geral de Auditoria do Departamento dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), do Ministério da Previdência Social. O documento apontou possíveis falhas no processo que levou à aplicação dos recursos previdenciários.
Segundo a PF, há indícios de que servidores envolvidos na decisão, por ações ou omissões, podem ter deixado de seguir procedimentos técnicos e administrativos necessários para a aplicação do dinheiro. A suspeita é de que as condutas tenham exposto o patrimônio do regime previdenciário municipal a riscos.