DESAFIO DOS 127 ANOS

há 1 hora

Na rodoviária e entorno, presença de pedintes gera prejuízo a comerciantes em Campo Grande

Problema policial e social só aumenta e receio de furtos também é dilema

26/08/2026 às 11:30 | Atualizado 26/08/2026 às 10:20 Thiago de Souza

O entra e sai das dependências do Terminal Rodoviário de Campo Grande não é só de passageiros; também há errantes, pedintes e pessoas em vulnerabilidade social. Quem trabalha no local garante que aglomeração deles dentro e fora gera prejuízo e incômodo a usuários da estação. O problema, somado à questão da antiga rodoviária, é um dos maiores desafios da cidade, que completa 127 anos neste 26 de agosto. 

Quem trafega pela Avenida Gury Marques percebe nitidamente a circulação desse público. É difícil não ver um deles no largo canteiro da avenida. A reportagem registrou colchões, travesseiros e até barracas usados de dia e à noite. 

Na calçada da estação é possível ver acúmulo de lixo, como marmitas de isopor, garrafas de bebida alcoólica, pedaços de rouba e caixas de cigarro. 

Taxista relata perturbação intensa de pedintes (Foto: Alice Assis)

Incômodo

Um taxista de 75 anos lamentou a grande presença de moradores de rua, sobretudo à noite. Ele se sente seguro dentro do terminal, mas revela que passageiros reclamam muito da abordagem dos pedintes. 

''É complicado à noite. Perturbação é muito grande. Muito pedinte, muito drogado... é o que tá marcando a nossa rodoviária'', reclamou o motorista. 

Cafezinho 

''Tem mais de 30 aqui''. Foi essa a resposta do vendedor de cafezinho, Ademilson Ribeiro, 68 anos, na entrada do terminal, sobre a presença de vulneráveis. Ele destaca que chega às 4h30 e monta a banca para vender café da manhã. Deixa o local às 8h30 e retorna de tarde para seguir as vendas. 

''Quando chego aqui às 4h tá cheio. Eles entram e saem da rodoviária'', lamentou. Garantiu que os mendigos não lhe pedem nada, mas abordam e constrangem quem senta para comer ali. 

''Pra mim eles não pedem, mas incomoda os clientes. Tem gente que senta aqui e vem cinco pedir, faz fila... tem gente que nem vem comer'', desabafou o comerciante. Questionado se a solução seria mais policial ou social, Ribeiro falou que falta segurança. 

Guilherme diz que solução é social e policial (Foto: Alice Assis)

Visitante 

Guilherme Lindenberg, 28 anos, trabalha na área comercial e é usuário eventual da rodoviária. 

''Às vezes sou abordado aqui por pedintes... acho que por eu ser homem eles não fazem nada de violência'', comentou. Destacou que as abordagens sofridas geram certo incômodo, mas que não são pessoas agressivas. 

''São pessoas fragilizadas e estão fazendo o que eles podem'', refletiu Lindenberg. Ele crê que a solução para o problema envolve ação conjunta entre segurança pública e social. 

''O social é a longo prazo. O que mais vem sendo feito é a área policial, quando vem sendo feito'', avaliou. 

Entramos em contato com a administração da concessionária do terminal. O espaço está aberto.