Campo Grande

há 2 horas

Filha organiza protesto um ano após morte de pai: 'a vida dele vale menos de dois salários mínimos?'

Cipriano Pereira Quinhone morreu durante horário de trabalho ao ser atropelado na Avenida Duque de Caxias

28/08/2026 às 07:00 | Atualizado 28/08/2026 às 08:29 Rebeca Ferro
Arquivo Pessoal

Um ano após a morte do seu pai, Gabriella Araújo Quinhone, de 31 anos, está organizando uma manifestação para cobrar justiça pela morte da vítima. O pai de Gabriella era Cipriano Pereira Quinhone, de 60 anos, e morreu atropelado durante horário de trabalho como gari da Solurb, no dia 17 de setembro de 2025, em Campo Grande. 

Segundo Gabriella, após um ano de processo, o CAS teve uma sentença que gerou indignação em toda a família. O funcionário da Solurb que conduzia o caminhão no momento do atropelamento foi condenado a pagar a quantia de R$ 3 mil pela morte de Cipriano Pereira Quinhone. 

"O motorista que o atropelou está seguindo a vida. Não foi indiciado, mas está cumprindo pena. Fez um acordo no Ministério Público e não levou nenhuma punição. Eu fui ao Ministério Público e pedi para que, pelo menos, a carteira dele fosse tirada, mas a justiça entendeu que ele devia pagar apenas a indenização. Quer dizer, a vida do meu pai valia menos de dois salários mínimos?". 

Segundo Gabriella, o seu pai havia acabado de completar 60 anos, com mais de 35 anos de contribuição, e havia acabado de dar entrada no processo de aposentadoria. Na data de sua morte, Cipriano estava a pouco mais de um mês e meio de conseguir o requisito de aposentadoria. 

"O que mais revolta a todos nós é a forma como ele morreu. Meu pai saiu de casa, pedalou 11 km até o trabalho, levou a própria comida e a gente o recebeu com a cabeça esmagada, o corpo todo quebrado. Ele foi entregue para nós em um caixão lacrado." 

Revoltada com a determinação judicial, Gabriella decidiu se organizar para protestar contra a sentença de indenização.  Segundo a vendedora, no próximo mês, em setembro, ela irá realizar manifestações em frente à Solurb e ao Ministério Público em busca de justiça. 

"O meu pai era todo o suporte da família. Ele sempre estava do meu lado para tudo o que eu precisava. Ele fazia tudo o que estava ao alcance dele, fazia tudo por mim e pela minha irmã, que também mora aqui em Campo Grande." 

Relembre o caso. 

Cipriano Pereira Quinhone, de 60 anos, morreu após ser atropelado na tarde do dia 17 de setembro de 2025, na Avenida Duque de Caxias, próximo à rotatória com a Avenida Afonso Pena. O homem era funcionário da Solurb e estava realizando trabalho de coleta no momento do atropelamento. 

No local do atropelamento havia sido realizada capinagem e limpeza do canteiro central, e a vítima fazia o recolhimento dos sacos de lixo deixados após a ação, quando foi atropelada pelo caminhão da empresa Solurb ao atravessar a avenida. O motorista da Solurb que atropelou a vítima foi indiciado e condenado a pagar uma indenização de R$3 mil. 

O trabalhador ficou gravemente ferido e equipes do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) tentaram a reanimação, mas sem sucesso.