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Mãe questiona orações em escola pública e denuncia diretor por intolerância religiosa no Noroeste
Segundo a responsável, filha umbandista se sente desconfortável com práticas religiosas e diretor teria reagido com deboche ao ser questionado
Luivanny Virgíni Berge Manacá, de 31 anos, afirma ter sido vítima de intolerância religiosa dentro da Escola Municipal Professora Ione Catarina Gianotti Igydio, onde a filha estuda, no bairro Jardim Noroeste, em Campo Grande.
Segundo Luivanny, desde que a filha passou a frequentar a unidade, os alunos participam de orações e ouvem músicas de louvor antes das aulas. A mãe afirma que a menina, que também é umbandista, se sente desconfortável com a prática.
Diante da situação, Luivanny procurou a direção da escola para falar sobre a realização de atividades religiosas em uma instituição pública.
“Eu fui questionar o diretor em relação a isso. Falei que não é certo, porque, querendo ou não, o Estado tem que ser laico. A escola é uma instituição pública e não deveria propagar qualquer fé aos alunos”, relatou.
Ainda conforme a versão da mãe, o diretor teria reagido com deboche à reclamação. Segundo a mãe, o diretor teria rido durante a conversa e disse que o problema estaria relacionado a uma suposta “raiva da igreja”.
“Quando eu falei da situação, o diretor riu. Ele olhou para mim, deu risada na minha cara e falou que o meu problema é que eu tinha raiva da igreja. Disse que algo devia ter acontecido na minha vida e que, por isso, eu não gostava dos hinos cristãos ou das orações”, contou.
Segundo Luivanny, o diretor também teria afirmado que não pretendia alterar a rotina e que as orações e os hinos só deixariam de acontecer quando ele saísse do cargo.
Após a conversa, a mãe procurou a Semed (Secretaria Municipal de Educação) para registrar uma denúncia e que foi orientada a aguardar um prazo de 45 dias por uma resposta.
“Eu liguei na Semed e eles me orientaram a aguardar por 45 dias para ter um retorno sobre a situação. Eu entrei em contato depois do tempo estipulado, mas me disseram que nem ao menos protocolo havia”, relatou.
A reportagem entrou em contato com a Semed para solicitar esclarecimentos sobre a realização de orações e músicas religiosas na unidade, além de um posicionamento sobre a conduta atribuída ao diretor. O espaço também permanece aberto para manifestação da direção da escola e da gestão municipal.