Campo Grande

há 2 horas

Mãe questiona orações em escola pública e denuncia diretor por intolerância religiosa no Noroeste

Segundo a responsável, filha umbandista se sente desconfortável com práticas religiosas e diretor teria reagido com deboche ao ser questionado

28/08/2026 às 13:00 | Atualizado 28/08/2026 às 13:36 Rebeca Ferro
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Luivanny Virgíni Berge Manacá, de 31 anos, afirma ter sido vítima de intolerância religiosa dentro da Escola Municipal Professora Ione Catarina Gianotti Igydio, onde a filha estuda, no bairro Jardim Noroeste, em Campo Grande.

Segundo Luivanny, desde que a filha passou a frequentar a unidade, os alunos participam de orações e ouvem músicas de louvor antes das aulas. A mãe afirma que a menina, que também é umbandista, se sente desconfortável com a prática.

Diante da situação, Luivanny procurou a direção da escola para falar sobre a realização de atividades religiosas em uma instituição pública.

“Eu fui questionar o diretor em relação a isso. Falei que não é certo, porque, querendo ou não, o Estado tem que ser laico. A escola é uma instituição pública e não deveria propagar qualquer fé aos alunos”, relatou.

Ainda conforme a versão da mãe, o diretor teria reagido com deboche à reclamação. Segundo a mãe, o diretor teria rido durante a conversa e disse que o problema estaria relacionado a uma suposta “raiva da igreja”.

“Quando eu falei da situação, o diretor riu. Ele olhou para mim, deu risada na minha cara e falou que o meu problema é que eu tinha raiva da igreja. Disse que algo devia ter acontecido na minha vida e que, por isso, eu não gostava dos hinos cristãos ou das orações”, contou.

Segundo Luivanny, o diretor também teria afirmado que não pretendia alterar a rotina e que as orações e os hinos só deixariam de acontecer quando ele saísse do cargo.

Após a conversa, a mãe procurou a Semed (Secretaria Municipal de Educação) para registrar uma denúncia e que foi orientada a aguardar um prazo de 45 dias por uma resposta.

“Eu liguei na Semed e eles me orientaram a aguardar por 45 dias para ter um retorno sobre a situação. Eu entrei em contato depois do tempo estipulado, mas me disseram que nem ao menos protocolo havia”, relatou.

A reportagem entrou em contato com a Semed para solicitar esclarecimentos sobre a realização de orações e músicas religiosas na unidade, além de um posicionamento sobre a conduta atribuída ao diretor. O espaço também permanece aberto para manifestação da direção da escola e da gestão municipal.