Saúde

há 2 horas

Crianças podem ser transferidas após Santa Casa suspender cirurgias cardíacas pediátricas

A suspensão ocorre depois que a equipe de cirurgia cardíaca pediátrica deixou o hospital

03/09/2026 às 15:11 | Atualizado 03/09/2026 às 17:07 Brenda Souza
A equipe cirurgica era a unica no estado para fazer os procedimentos - André de Abreu/Ilustrativa

Pelo menos três crianças que aguardam por cirurgias cardíacas na Santa Casa de Campo Grande podem ser ser transferidas para outro estado após a saída da equipe responsável pelos procedimentos de alta complexidade. A informação foi obtida pelo TopMídiaNews nesta quinta-feira (3).

Os pacientes estão sendo acompanhados na Santa Casa, mas, com a suspensão das cirurgias cardíacas pediátricas, não poderão realizar os procedimentos na unidade. A alternativa é a transferência para o Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba (PR), referência em atendimento pediátrico.

A situação envolve ainda mais preocupação porque entre os procedimentos realizados pela equipe que deixou a Santa Casa estavam cirurgias cardíacas complexas em crianças e recém-nascidos.

Segundo informações repassadas à reportagem, as três crianças dependem do procedimento e aguardam a definição da transferência. Caso permaneçam em Mato Grosso do Sul sem acesso à cirurgia necessária, existe risco grave à saúde dos pacientes, conforme relatos obtidos pela reportagem.

A suspensão ocorre depois que a equipe de cirurgia cardíaca pediátrica deixou a Santa Casa. Segundo informações apuradas pelo TopMídiaNews, os profissionais estavam há quatro meses sem receber e também enfrentavam dificuldades relacionadas à falta de insumos necessários para os procedimentos.

A equipe era a única do estado habilitada a realizar determinados procedimentos cardíacos pediátricos de alta complexidade. Com a saída dos médicos, a Santa Casa passou a não ter condições de realizar essas cirurgias.

Crise na Santa Casa

A suspensão das cirurgias cardíacas pediátricas é mais um reflexo da crise enfrentada pela Santa Casa de Campo Grande.

O hospital já havia suspendido cirurgias eletivas e atendimentos ambulatoriais por causa da falta de insumos e medicamentos e dos atrasos nos pagamentos de equipes médicas.

Agora, a saída da equipe especializada atinge diretamente pacientes que precisam de procedimentos que não podem ser adiados indefinidamente.

Além dos cirurgiões, profissionais ligados ao centro cirúrgico também teriam deixado a instituição, incluindo anestesistas que atuavam nos procedimentos.

A Santa Casa confirmou a saída da equipe de cirurgia cardíaca pediátrica e informou que os atendimentos de urgência e emergência continuam sendo realizados.

O hospital também afirmou que busca alternativas para garantir a assistência aos pacientes que necessitarem de atendimento especializado.

Por meio de nota, a Santa Casa negou que haja a possibilidade de transferência. Confira:

"A Santa Casa esclarece que a transferência de pacientes internados para tratamento em outro Estado, quando necessária, segue o fluxo de regulação do Sistema Único de Saúde (SUS) e não depende exclusivamente da decisão do hospital de origem.

Nos casos de alta complexidade, quando o tratamento necessário não está disponível no Estado, o caso é encaminhado à Central de Regulação, que avalia a necessidade e busca, dentro da rede SUS, um serviço habilitado e com condições de receber o paciente.

Quando o procedimento está dentro dos critérios da Central Nacional de Regulação de Alta Complexidade (CNRAC), o pedido segue um fluxo específico: é analisado pela regulação estadual e pela CNRAC, que fazem a articulação para encontrar um serviço de referência em outro Estado.

Após a identificação de um hospital habilitado e a confirmação de que ele possui condições de receber o paciente, é realizado o aceite e organizado o transporte adequado às condições clínicas.

Dessa forma, o hospital de origem não pode simplesmente transferir um paciente para outro Estado sem que exista uma vaga, um serviço de referência e o aceite da unidade de destino. Todo o processo depende da articulação entre o hospital, as Centrais de Regulação e os gestores do SUS.

A medida tem como objetivo garantir que a transferência ocorra de maneira organizada e segura, assegurando a continuidade do tratamento e evitando que o paciente seja encaminhado para outro local sem a garantia de que poderá ser adequadamente assistido."