Saúde

há 1 hora

Depois de demissões em massa, Conselho de Saúde alerta para risco de desassistência na Santa Casa

Cirurgias e outros procedimentos foram suspensos pela unidade

03/09/2026 às 16:11 | Atualizado 03/09/2026 às 14:14 Brenda Souza
Crise tem piorado na Santa Casa - Gabriel do Carmo

O Conselho Municipal de Saúde de Campo Grande manifestou preocupação com o agravamento da crise na Santa Casa e, principalmente, com a interrupção das cirurgias cardíacas pediátricas de alta complexidade. Em nota pública divulgada nesta quinta-feira (3), o órgão afirmou que a população não pode ficar sem atendimento enquanto Município, Estado e hospital discutem questões financeiras e administrativas.

A manifestação ocorre após o desligamento da equipe responsável pelas cirurgias cardíacas pediátricas da Santa Casa. Conforme informações apuradas pelo TopMídiaNews, pelo menos três crianças que aguardavam pelos procedimentos precisam ser transferidas para outras unidades, com possibilidade de encaminhamento para o Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba (PR).

O Conselho classificou a situação como especialmente preocupante por envolver crianças que podem depender de atendimento especializado e de procedimentos de alta complexidade realizados em tempo oportuno.

"A população não pode ficar sem assistência enquanto essas questões são discutidas", afirmou o Conselho na nota.

Segundo o órgão, os problemas enfrentados pela Santa Casa não começaram agora. Nos últimos meses, foram registradas dificuldades relacionadas à manutenção das equipes médicas, falta de medicamentos, materiais e insumos, além da suspensão ou redução de atendimentos e procedimentos.

O Conselho também citou a pendência na conclusão da nova contratualização da Santa Casa com o Sistema Único de Saúde (SUS).

Na nota, o Conselho informou que está encaminhando expedientes aos órgãos competentes para cobrar informações sobre as medidas adotadas para garantir a continuidade da assistência.

O órgão também propôs uma articulação com o Conselho Estadual de Saúde para acompanhar conjuntamente a situação da Santa Casa.

Para o Conselho, questões relacionadas a financiamento, metas, produção hospitalar, fiscalização, prestação de contas e transparência precisam ser discutidas e solucionadas. No entanto, essas disputas não podem resultar na interrupção do atendimento à população.

"Independentemente das divergências administrativas, financeiras ou contratuais existentes, o usuário do SUS não pode ser quem paga essa conta", afirmou.

Crise na Santa Casa

A suspensão das cirurgias cardíacas pediátricas é mais um capítulo da crise enfrentada pela Santa Casa de Campo Grande. O hospital já havia suspendido cirurgias eletivas e atendimentos ambulatoriais diante de dificuldades financeiras e da falta de medicamentos, materiais e insumos. A situação também foi acompanhada por relatos de atrasos no pagamento de equipes médicas.

A equipe de cirurgia cardíaca pediátrica, segundo informações apuradas pela reportagem, estava entre os grupos que deixaram a instituição. Além dos atrasos nos pagamentos, profissionais também relataram dificuldades para realizar procedimentos pela falta de insumos necessários.

Com a saída dos especialistas, cirurgias cardíacas pediátricas de maior complexidade deixaram de ser realizadas na unidade.

A Santa Casa informou que mantém os atendimentos de urgência e emergência e busca alternativas para garantir a assistência aos pacientes.

O Conselho Municipal de Saúde afirmou que continuará acompanhando o caso e cobrando medidas para evitar novas interrupções nos serviços.

O espaço permanece aberto para manifestação da Santa Casa, da Prefeitura de Campo Grande e do Governo de Mato Grosso do Sul.