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há 28 minutos

Campo-grandense devolve benefício social após reconquistar a própria renda e inspira família

História no bairro Parati reflete política que já levou mais de 28 mil sul-mato-grossenses a deixarem programa de assistência após melhora nas condições de vida

05/09/2026 às 13:53 | Atualizado 05/09/2026 às 09:24 Diana Christie
Ascom

Quando a porta da lavanderia se fechou para Marcos Gabriel de Arruda Calonga, de 34 anos, uma preocupação antiga e urgente tomou conta da casa no bairro Parati, em Campo Grande: como garantir a comida na mesa. Dividindo o teto com a esposa, a sogra e quatro filhos, ele viu a ausência do salário transformar a incerteza em visita diária.

Foi no meio desse cenário imprevisível que o programa Mais Social entrou na rotina da família. O benefício funcionou como uma ponte durante a fase mais turbulenta, garantindo o básico enquanto Marcos buscava formas de se reinventar e retornar ao mercado.

A inércia nunca foi uma opção. Ele fez um curso de barbeiro, começou a atender os clientes na própria casa e arrumou trabalho como zelador em uma igreja. O fôlego financeiro definitivo veio logo depois, com a contratação para atuar como vigilante em uma entidade sindical rural. A renda, aos poucos, voltou a preencher o orçamento, reforçada pelo ingresso dos dois filhos mais velhos, de 17 e 18 anos, no mercado de trabalho.

Com a casa novamente nos eixos, Marcos tomou uma decisão que simbolizou o fim oficial daquele período de insegurança. Ele procurou o programa para devolver o cartão do benefício.

“Conversamos e entendemos que continuar recebendo seria injusto. Hoje existem pessoas que precisam mais do que nós. O programa nos ajudou muito, mas agora conseguimos seguir sozinhos”, relata. A carteira de trabalho, hoje guardada com cuidado, virou o emblema dessa recuperação de autonomia.

Desde 2023, 28,4 mil sul-mato-grossenses devolveram o benefício. A rede de proteção tenta abraçar diferentes frentes: mães solo recebem apoio para manter os filhos seguros enquanto trabalham, e estudantes de baixa renda acessam o MS Supera para permanecerem na universidade ou no ensino técnico.

“O papel do Estado é estar presente quando a família mais precisa, mas também criar condições para que ela conquiste autonomia. Em Mato Grosso do Sul, a política social caminha junto com educação, qualificação e geração de emprego, porque é assim que a gente muda a vida das pessoas de forma concreta”, afirma o governador Eduardo Riedel (PP).