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há 2 horas

Ressonância em Dourados garante atendimento a pacientes do interior; 4 anos de espera

É o 1º aparelho da rede pública no Hospital Regional a atender 34 municípios

10/09/2026 às 17:29 | Atualizado 10/09/2026 às 15:14 Thiago de Souza
Exame disponível para 34 municípios - Divulgação assessoria Riedel

A viagem começou ainda de madrugada. Adelina Sales levantou à meia-noite, saiu de casa, na zona rural, por volta das 3h e encarou quase quatro horas de estrada até Dourados. Pouco antes das 7h, chegou ao Hospital Regional para finalmente fazer um exame que aguardava havia aproximadamente quatro anos.

Em tratamento contra artrose no joelho, ela já havia passado por consultas e encaminhamentos e chegou a realizar um exame fora de Mato Grosso do Sul. Agora, conseguiu fazer uma nova ressonância magnética na rede pública estadual, sem precisar deixar o Estado.

Conforme a divulgação, a possibilidade veio com a instalação do primeiro aparelho de ressonância magnética da rede pública no Hospital Regional de Dourados, uma das ações do governo de Eduardo Riedel (Progressistas) na estratégia de ampliar o atendimento especializado e a capacidade de diagnóstico no interior.

O equipamento recebeu R$ 7,5 milhões em investimentos da Secretaria de Estado de Saúde e começou a funcionar em 27 de abril. A estrutura atende a macrorregião do Cone Sul, formada por 34 municípios, com capacidade estimada de aproximadamente 500 exames por mês.

''Levantamos meia-noite para poder estar aqui. Saímos de casa às três da manhã e chegamos quase às sete. Foi cansativo, mas graças a Deus deu tudo certo'', contou Adelina. Segundo ela, o problema não era apenas a distância. A espera pelo exame se arrastava havia anos.

''A gente mora na roça e ficava esperando, esperando, e nunca saía. Agora saiu, graças a Deus.''

Mais diagnóstico fora da Capital

Ainda segundo divulgado, a instalação do equipamento faz parte da política de regionalização da saúde, que busca ampliar a oferta de serviços especializados no interior e reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes para Campo Grande ou outros centros.

Para quem mora em municípios menores, distritos e áreas rurais, um exame especializado pode representar quilômetros de viagem, dependência de transporte público e perda de dias de trabalho.

Na avaliação do governador Eduardo Riedel, ampliar a estrutura significa aproximar o diagnóstico do paciente.

''Mais que incorporar tecnologia ao hospital, a medida busca reduzir uma dificuldade que atravessa a rotina de milhares de pacientes: a distância entre a suspeita de uma doença, a confirmação do diagnóstico e o início ou a continuidade do tratamento'', afirmou.
A proposta é reduzir justamente esse intervalo entre a consulta, o exame e a definição da conduta médica.

Paciente aguardava desde 2019

Foi dito também que a história de Adelina não é isolada. Moradora de Itaporã, Luciene de Medeiros também esperava por uma ressonância magnética havia anos.
Ela convive com bursite e rompimento dos tendões dos ombros. O pedido de cirurgia foi feito em 2023, mas o exame continuava sendo necessário para orientar a continuidade do tratamento.

''Esse exame que vim fazer hoje já estava esperando há mais de dois anos'', relatou.
Para Luciene, a oferta do procedimento pela rede pública representa também economia para quem não tem condições de pagar por um exame particular.

''Se depender de pagar, muita gente nunca consegue fazer. Então isso aqui faz diferença demais para a população'', afirmou.

Equipamento reforça atendimento de alta complexidade

Além da gestão Riedel ampliar o número de exames disponíveis, a ressonância fortalece áreas que dependem de imagens mais detalhadas para diagnóstico e planejamento de procedimentos.
Segundo o médico João Hoffmann, da unidade, o equipamento passa a dar suporte principalmente à ortopedia de alta complexidade, incluindo casos envolvendo coluna, ombro, joelho e lesões ligamentares, além de auxiliar em outras áreas.

''A ressonância vem para somar à ortopedia de alta complexidade, com atendimentos voltados para coluna, ombro, joelho e lesões ligamentares, além de auxiliar em cirurgias do aparelho digestivo e outros métodos diagnósticos necessários dentro da rede'', explicou.

Na prática, a estratégia do governo Riedel é levar para o interior procedimentos que antes dependiam de estruturas concentradas em poucos municípios.

Para Adelina, o resultado dessa política pode ser medido de uma forma bem mais simples do que em números de investimento ou capacidade mensal. Depois de anos de espera, ela finalmente entrou na máquina e fez o exame que precisava para continuar o tratamento.

A estrada de madrugada continua fazendo parte da rotina de quem mora na zona rural. Mas, pelo menos para esse exame, o destino agora ficou mais perto.