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há 1 hora

Após investigação sobre Alir Terra 'vazar', 7 empresas mudaram para imóvel vazio em Campo Grande

Endereço na Avenida Mato Grosso teria ficado meses sem consumo de água e seria usado apenas formalmente

13/09/2026 às 17:54 | Atualizado 13/09/2026 às 17:54 Brenda Souza
MPMS/Redes Sociais

Sete empresas ligadas a Paulo da Cruz Duarte, investigado no esquema envolvendo a Santa Casa de Campo Grande, tiveram seus endereços alterados em sequência após a descoberta de vínculos com um imóvel relacionado à então presidente da instituição, Alir Terra Lima, segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul.

As empresas passaram a indicar como sede um imóvel localizado na Avenida Mato Grosso, no bairro Santa Fé. Entretanto, conforme o GECOC, o local teria permanecido desocupado e sem consumo de água durante meses.

Para o Ministério Público, as alterações cadastrais não representaram uma mudança real das atividades das empresas, mas uma tentativa de afastar documentalmente a ligação entre o grupo empresarial e Alir.

A investigação aponta que as mudanças começaram logo depois que integrantes do grupo tomaram conhecimento de uma ação de produção antecipada de provas, ajuizada em dezembro de 2025.

Nesse processo, já havia sido revelada a coincidência entre endereços de empresas ligadas a Paulo Duarte e um imóvel pertencente a Alir Terra Lima.

O MP destaca ainda que o conteúdo da ação teria circulado entre os investigados antes mesmo da intimação formal. Em 31 de dezembro de 2025, segundo a investigação, um trecho do processo que mencionava a ligação dos endereços teria sido encaminhado a Rinaldo Hakme Romano.

Na sequência, sete empresas tiveram seus registros alterados e passaram a apontar o imóvel da Avenida Mato Grosso como sede.

Entre elas estão empresas voltadas a telemedicina, soluções creditícias, gestão de planos de saúde, medicamentos e outros serviços ligados à Santa Casa Saúde.

Segundo o GECOC, o imóvel utilizado como novo endereço não apresentava estrutura compatível com atividades administrativas, comerciais, tecnológicas e assistenciais atribuídas às empresas.

O documento afirma que não houve consumo de água no local durante meses e sustenta que o endereço teria sido utilizado apenas para conferir aparência formal à alteração cadastral.

A investigação também aponta que algumas dessas empresas não possuíam funcionários formalmente registrados, enquanto outras tinham apenas um trabalhador, apesar de receberem para executar atividades consideradas complexas e permanentes.

Para o MP, a fragmentação dos serviços em diferentes CNPJs teria sido utilizada para multiplicar contratos, diversificar pagamentos e dificultar a identificação de uma estrutura empresarial única.

Ainda conforme o documento, as empresas ligadas a Paulo passaram a atuar em diferentes áreas da Santa Casa Saúde, incluindo atendimento telefônico, cobrança, emissão de boletos, comercialização de planos, administração de benefícios, telemedicina, publicidade e apoio assistencial.

O Ministério Público sustenta que a mudança de endereço integrou uma estratégia de ocultação adotada depois que a gestão comandada por Alir Terra Lima passou a ser investigada.