Saúde

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Há seis anos sem conseguir comer direito, pintor luta contra doença rara em Campo Grande

Anderson dorme sentado há dois anos para evitar refluxos causados pela doença

17/09/2026 às 07:00 | Atualizado 16/09/2026 às 10:26 Dayane Medina
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Há seis anos, o pintor Anderson da Silva Guedes, de 40 anos, enfrenta dificuldades para se alimentar, com problemas para engolir, refluxo e episódios de vômito após as refeições. Nos últimos dois anos, o quadro se agravou e levou a família a buscar novos especialistas em Campo Grande, até chegar ao diagnóstico de uma doença rara no esôfago.

Segundo a esposa, Débora Santos Silva Gates, de 34 anos, comer deixou de ser algo simples para Anderson. Em algumas refeições, ele precisa beber muita água apenas para conseguir engolir os alimentos.

“As vezes, para um prato de comida, ele toma um litro, um litro e meio de água para conseguir engolir. Muitas vezes, na primeira ou segunda colherada, ele já vomita toda a comida”, conta.

Ao longo desses seis anos, Anderson perdeu cerca de 10 quilos e a família buscou atendimento e passou por consultas e exames, inclusive com especialistas particulares, mas por muito tempo não conseguiu descobrir a causa dos sintomas.

Nos últimos dois anos o quadro piorou. O refluxo, a queimação e a regurgitação passaram a ser ainda mais frequentes, e Anderson deixou de conseguir dormir deitado.

“Ele não consegue realmente engolir muito. Tem dias que ele não consegue comer mesmo. De noite, ele não consegue dormir deitado, só sentado. Já tem uns dois anos que ele praticamente dorme assim”, detalha a esposa.

Segundo ela, antes os sintomas apareciam em determinados períodos e depois melhoravam. Nos últimos dois anos, isso deixou de acontecer.

“Antes era esporadicamente. Tinha vezes que estava muito atacado e depois ficava tranquilo. Agora não passa mais essa regurgitação, esse refluxo, essa azia”, afirma.

Com a piora, a família decidiu buscar novamente atendimento com um gastroenterologista particular. Foi então que, segundo Débora, Anderson recebeu o diagnóstico de acalasia, uma condição rara que compromete a passagem dos alimentos do esôfago para o estômago e pode provocar uma dilatação importante do órgão, conhecida como megaesôfago.

“Dessa vez, como o estado dele estava muito agravado, o doutor conseguiu descobrir o que ele tem. Ele explicou que é uma condição rara e que o esôfago dele está muito dilatado”, explica.

Débora afirma que o médico explicou ainda que a região de passagem para o estômago estaria comprometida e que Anderson precisa passar por cirurgia. Caso o quadro continue avançando, ele pode precisar de uma sonda para conseguir se alimentar.

“O doutor falou que ele está em um estado tão avançado da doença que, se ele não fizer logo essa cirurgia, vão ter que passar uma sonda para ele se alimentar. Por isso estamos correndo contra o tempo”, disse a dona de casa.

A doença também começou a afetar a vida profissional de Anderson. Pintor, ele já não consegue trabalhar normalmente devido às limitações provocadas pelos sintomas.

Segundo a família, a dificuldade agora é conseguir realizar o procedimento dentro do tempo considerado necessário pelo médico. Débora afirma que foi informada de que a cirurgia é pouco realizada em Campo Grande e que uma espera prolongada pelo SUS (Sistema Único de Saúde) poderia agravar ainda mais a situação.

“Ele falou que, para entrar na fila de espera, pode demorar muito. E ele não tem esse tempo de espera”, lamenta.

Parentes e amigos organizaram uma vaquinha online, realizaram uma feijoada beneficente e mantêm três rifas para arrecadar dinheiro para realizar a cirurgia pelo particular.

“Nós estamos fazendo de tudo. Vaquinha, rifa, fizemos feijoada beneficente. Estamos tentando tudo o que conseguimos para arrecadar”, conta a esposa.

Entre as rifas estão premiações em dinheiro, um celular novo e um conjunto de roupas masculinas.

Quem quiser contribuir pode participar das rifas ou fazer uma doação pela vaquinha online organizada pela família. Ou comprar a rifa pelo WhatsApp da esposa (67) 99186-1851.