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Prefeitura anuncia 188º lugar em ranking da educação como "vitória" de Campo Grande

Capital teve média de 32,78 pontos; ao longo do ano, escolas municipais foram alvo de denúncias sobre merenda, falta de apoio a alunos e problemas de infraestrutura

28/09/2026 às 15:00 | Atualizado 28/09/2026 às 10:31 Brenda Souza
Divulgação/Assessoria

A prefeitura de Campo Grande tentou ludibriar os cidadãos dando destaque por aparecer na liderança de Mato Grosso do Sul no indicador de acesso à educação do Ranking de Competitividade dos Municípios 2026. No entanto, o resultado divulgado como “destaque nacional” mostra uma realidade bem diferente, uma vez que a Capital ocupa apenas a 188ª posição entre os 423 municípios avaliados.

A cidade alcançou 32,78 pontos no indicador. A diferença em relação ao município que lidera o levantamento é expressiva, já que Votuporanga (SP) somou 63,27 pontos, praticamente o dobro da pontuação campo-grandense. No Centro-Oeste, Campo Grande aparece na quarta colocação. O levantamento considera municípios com mais de 80 mil habitantes.

A divulgação feita pela Prefeitura destacou principalmente a liderança estadual e a quarta colocação regional, associando o resultado a políticas de ampliação do acesso e permanência dos estudantes. A administração também afirmou que a posição seria resultado de ações de ampliação de vagas, fortalecimento das escolas e valorização das equipes.

Na prática, porém, problemas enfrentados diariamente por estudantes, famílias e profissionais da Rede Municipal de Ensino mostram que o acesso à escola não encerra os desafios da educação pública.

Um dos episódios mais recentes envolve a Escola Municipal Hilda de Souza Ferreira, na região da Coophatrabalho. Em julho, famílias relataram que alunos passaram mal depois de consumir a merenda. Estudantes descreveram alterações no cheiro e no sabor da comida, e o caso levou a uma fiscalização na unidade. Na ocasião, foi relatado que apenas uma merendeira trabalhava sozinha havia cerca de 15 dias e enfrentava limitações na estrutura para preparar e armazenar os alimentos.

A situação voltou a ser denunciada em agosto. Uma familiar relatou que crianças teriam sentido novamente cheiro desagradável na comida e apresentado náusea. Segundo a denúncia, uma estudante chegou a dizer que não conseguiu comer a refeição.

Outro problema registrado na rede envolve o atendimento especializado. Em junho, uma família denunciou que um menino autista, de 9 anos, estava sem professor de apoio pedagógico especializado, apesar de possuir laudo médico e já ter estudado na unidade desde 2025. O garoto sofreu uma fratura exposta no polegar após prender o dedo na porta da sala de aula. Segundo a mãe, o pedido pelo acompanhamento já havia sido apresentado à escola.

A infraestrutura também expõe dificuldades que vão além do indicador de acesso. A construção da Escola Municipal da Vila Nathalia, no Portal Caiobá, ficou paralisada por anos. Em reportagem publicada em 2025, o TopMídiaNews mostrou que apenas 36% da obra havia sido executada, embora o município já tivesse recebido mais de R$ 1,5 milhão em recursos federais para o projeto. Até setembro daquele ano, cerca de R$ 1,18 milhão permanecia em caixa sem utilização.

Somente em maio de 2026 a Prefeitura assinou um novo contrato para concluir a unidade. O acordo, de R$ 4,77 milhões, prevê 12 salas de aula e espaços de recreação e convivência, com prazo de um ano para execução dos serviços.

O próprio Ranking de Competitividade dos Municípios deixa claro que o indicador de acesso à educação é apenas um dos componentes da avaliação. O levantamento é formado por 65 indicadores distribuídos em 13 pilares, incluindo, além de acesso à educação, qualidade da educação, saúde, segurança, saneamento e meio ambiente.