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Delegado suspeito de comandar esquema de desvio de drogas vai continuar preso
Hoffman D'Ávila chefiava delegacia especializada e passou por audiência de custódia após ser alvo da Operação Infiltrados
O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa teve a prisão mantida durante audiência de custódia na manhã deste sábado (26), em Campo Grande. Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), o policial ocupava uma posição de comando em um esquema de desvio de drogas enquanto chefiava a Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico).
Documento elaborado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) aponta que ele dava respaldo à atuação de agentes encarregados de localizar e apreender cargas que seriam posteriormente destinadas ao tráfico.
Os desvios ocorriam de duas maneiras. Os servidores deixavam parte da quantidade de entorpecentes fora do boletim de ocorrência ou retiravam os materiais já guardados nos depósitos policiais. Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, operava como elo entre os agentes públicos e os compradores. Ele repassava detalhes sobre as cargas, negociava a porção da droga fatiada ao grupo e organizava a venda.
A investigação descreve Hoffman como o responsável pela chancela institucional da quadrilha e um de seus principais beneficiários financeiros. Um dos episódios analisados envolve a apreensão de 643 quilos de cocaína em Bela Vista em maio de 2024. O delegado liderava a equipe formada pelos investigadores Nelson Ricardo Barros de Oliveira, Luiz Carlos de Souza e Douglas Tobias. Mensagens interceptadas mostram "LK" negociando frações de 20% e 30% da carga e afirmando que se reuniria com o delegado para definir a partilha.
Os investigadores identificaram movimentações financeiras e despesas patrimoniais de Hoffman como possíveis indícios de benefício econômico. O policial se apresentou à Corregedoria da Polícia Civil na tarde de quinta-feira (24). Na ocasião, o advogado Amilton Ferreira declarou ao TopMídiaNews que não tinha acesso aos autos e pretendia pedir a revogação da prisão.
O esquema contava com um núcleo operacional formado por oito investigadores. A representação detalha ocorrências distintas para identificar as suspeitas sobre cada membro. Em uma ação no Jardim Los Angeles, em outubro de 2025, Augusto Torres Galvão Florindo e Marcos André Santos Chaves registraram três quilos de maconha no boletim policial. Informações prévias de "LK" indicavam entre 40 e 60 quilos na residência. A diferença de peso embasa a suspeita de desvio.
Segundo informações do inquérito, Neverson Vieira de Araújo aproximou "LK" da rede criminosa. Ele e Nilton Cesar Sales dos Santos participaram da apreensão de 30 quilos de pasta-base de cocaína em novembro de 2022, carga posteriormente oferecida a traficantes. Roberto Palmeira da Silva também é citado em tratativas sobre 326 quilos de cocaína apreendidos em dezembro daquele mesmo ano.
O monitoramento de veículos e imóveis ligados às cargas contava com a participação do policial militar Alison Lemes Bezerra, do policial penal Vitor Ribeiro Venancio dos Santos e do policial militar Thiago Bezerra Laurentino. Alison e Vitor realizavam auditorias em sistemas restritos da segurança pública para rastrear alvos de interesse da quadrilha. O órgão relata ainda que Alison entregou a Lucas um veículo com compartimento oculto, adequado para o transporte de entorpecentes.
As prisões ocorreram durante a Operação Infiltrados, deflagrada na quinta-feira para cumprir 24 mandados de prisão preventiva, dois de temporária e 38 buscas na Capital, em Dourados e Terenos. Na sexta-feira (25), a Corregedoria-Geral da Polícia Civil afastou compulsoriamente os oito policiais civis detidos, suspendeu os acessos aos sistemas de segurança e recolheu o armamento do grupo.