há 1 hora
De desempregada a pós-graduada: auxílio estudantil muda a vida de corumbaense em MS
Iniciativas públicas tentam frear a evasão provocada pela falta de dinheiro e aproximam a qualificação das vagas reais abertas na economia do Estado
Quando começou a cursar Marketing, a ideia de Vanessa Eilers era simples: afiar as habilidades que já usava todos os dias. A moradora de Corumbá produzia conteúdo para redes sociais em uma empresa e viu na faculdade o passo natural para crescer profissionalmente. O roteiro, no entanto, mudou de repente. A chefe precisou lidar com problemas pessoais, a empresa fechou as portas e Vanessa se viu sem renda para bancar os próprios estudos.
“Foi quando me vi desempregada, passando por dificuldades financeiras e sem condições de pagar a formação. O MS Supera me deu a chance de dar continuidade a este sonho e me formar”, conta a estudante. O programa estadual concede auxílio financeiro para alunos de cursos técnicos e superiores em situação de vulnerabilidade, exigindo cadastro no CadÚnico, limite de renda e residência em Mato Grosso do Sul há mais de dois anos.
Para milhares de trabalhadores, o desafio não termina ao passar no vestibular. A verdadeira maratona é dar conta de conciliar as aulas com o transporte, a alimentação, as contas da casa e os filhos. No caso de Vanessa, o auxílio financeiro evitou que ela precisasse escolher entre buscar uma renda de emergência e abandonar a sala de aula. A graduação ameaçada não só chegou ao fim, como abriu caminho para duas pós-graduações. “Foi um incentivo que fez toda a diferença para que eu pudesse investir na minha formação. O programa mudou minha vida, foi uma virada de chave, um caminho aberto para fazer a vida dar certo”, afirma.
A permanência nos estudos esconde um impacto direto no bolso. Em 2025, trabalhadores com ensino superior completo no Estado recebiam uma média mensal de R$ 6.632. Na outra ponta, o rendimento de pessoas sem instrução ficava em R$ 1.824. A média geral da população ocupada sul-mato-grossense bateu R$ 3.727, alcançando o sétimo maior valor do país.
O governador Eduardo Riedel (PP) avalia o peso desse cenário na economia. “A diferença não significa que um diploma garanta emprego ou estabilidade, mas mostra como a escolaridade interfere no tipo de vaga disputada, na remuneração e na capacidade de acompanhar as mudanças do mercado”, pontua.
Caminhos para quem volta ao mercado
As barreiras ganham contornos mais difíceis para as mulheres, que historicamente dividem a qualificação profissional com o cuidado da família. Voltar ao mercado de trabalho após um longo período de afastamento costuma esbarrar na defasagem de experiência e na dificuldade de encaixar horários. É de olho nesse público que o Pronatec Mulheres Mil qualificou 224 sul-mato-grossenses em 2025. Com cursos gratuitos de assistente administrativo, recepcionista e vendas, a iniciativa articulou o retorno à sala de aula com escolas estaduais, centros de assistência e a Funtrab (Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul), encaminhando parte das alunas para novas oportunidades de emprego.
Do outro lado do balcão, as empresas também enfrentam problemas, mas com a falta de mão de obra atualizada. Mudanças tecnológicas e a expansão de novos setores industriais exigem conhecimentos que até um profissional experiente pode não ter. A resposta governamental tomou forma em abril de 2025 com o lançamento do MS Qualifica Digital. A plataforma reuniu cursos, currículos e vagas, abrindo logo no início 1.220 capacitações gratuitas focadas no setor florestal, uma das cadeias em plena expansão.
A lógica do projeto é treinar as pessoas para as vagas que realmente existem. Sem essa sintonia, o mercado sofre com o descompasso de ter vagas sobrando e candidatos sem o perfil exigido. Em outubro de 2025, uma ação conjunta entre a Funtrab e a Biosul materializou essa busca ao ofertar 637 oportunidades para o setor de bioenergia distribuídas por 15 municípios, somando-se a outras rodadas de empregabilidade promovidas tanto na Capital quanto no interior do Estado.