há 52 minutos
'Sempre será meu herói': filhos se despedem de pai morto na Vila Ipiranga e cobram respostas
Wellington da Silva Conceição, de 38 anos, perdeu o controle da moto e atingiu uma árvore; ele deixa quatro adolescentes e um bebê de quatro meses
O boletim de ocorrência registra uma colisão fatal contra uma árvore, mas para cinco filhos, o acidente na tarde de quinta-feira (24) representou a perda de um herói de risada inconfundível. A morte do motociclista Wellington da Silva Conceição, de 38 anos, na Avenida Costa Lima, transformou a dor do luto familiar em uma busca angustiante por respostas sobre os instantes que antecederam a batida.
Wellington pilotava uma Yamaha XTZ 125 pela Vila Ipiranga, em Campo Grande (MS), quando perdeu o controle da direção e bateu de frente contra uma árvore no canteiro central. As equipes do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) chegaram a ser acionadas, mas a médica responsável constatou o óbito ainda no asfalto.
O vazio deixado pela tragédia tem endereço e idades. Ele era pai de quatro adolescentes do primeiro casamento, Kellington (18), Kellison (16), Kemilly (14) e Kamilly (12), além de um bebê de apenas quatro meses com a atual esposa. A perda ganha contornos ainda mais duros ao esbarrar na expectativa de Kemilly, que fará 15 anos no mês que vem, agora sem a presença do pai para celebrar.
Para dar dimensão à saudade, a tia dos quatro adolescentes e a mãe da bebezinha, Carla, 38 anos, compartilharam as mensagens escritas pelos filhos de Wellington. Em cada despedida, um pedaço da relação que construíram.
"Tenho orgulho do meu pai, do homem que ele era e ainda é. Paizão, o senhor tá fazendo falta, será lembrado eternamente, meu herói", resumiu o primogênito, Kellington. O irmão Kellison completou o sentimento de incredulidade: "Foi um grande homem pra mim, ele não merecia essa morte tão feia".
A memória dos dias felizes ficou evidente nas palavras da filha de 14 anos. "O meu pai era um homem incrível. Até nos momentos piores ele fazia a gente rir, com aquela risada marcante que só ele tinha. Ele não merecia isso, só tinha 38 anos, tinha muito o que viver ainda. Te amo para toda a vida", declarou Kemilly. A caçula dos jovens, Kamilly, também deixou seu adeus dolorido: "Meu pai muito amado, vai ser sempre meu herói, meu salvador, meu tudo".
O luto, no entanto, divide espaço com a incerteza sobre a dinâmica da colisão. Abalados, os familiares uniram as vozes em um único apelo, repassado pela tia das crianças: "Queremos respostas, o que realmente aconteceu com nosso pai antes de ele perder o controle". O caso segue em investigação pela polícia civil, que enviou perícia ao local do acidente.