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há 1 hora

Plantações ajudam a impulsionar trabalhos e movimentam cidades do interior de MS

Em Água Clara e Santa Rita do Pardo, seleções e cursos buscam preparar moradores para empregos na cadeia florestal

28/09/2026 às 09:51 | Atualizado 28/09/2026 às 08:21 Brenda Souza
Bruno Rezende

A expansão da cadeia da celulose tem ampliado a oferta de empregos em Água Clara e Santa Rita do Pardo, em Mato Grosso do Sul. Mesmo antes da chegada de novas fábricas, empresas já abrem vagas para atividades de plantio, manejo, operação de máquinas e manutenção florestal.

A expectativa é que moradores dos próprios municípios ocupem parte dos postos de trabalho. Para isso, cursos profissionalizantes e programas de formação tentam preparar a mão de obra local.

Em 2025, um processo seletivo abriu 20 vagas para auxiliares de campo em Água Clara. Em setembro deste ano, outra seleção anunciou 53 oportunidades em Santa Rita do Pardo, para atividades de campo, operação e qualidade.

Os dois municípios fazem parte do Vale da Celulose, iniciativa criada em 2025 para integrar produção florestal, indústria, infraestrutura e formação profissional em 12 cidades de Mato Grosso do Sul.

Setor movimenta empregos antes das fábricas

A cadeia produtiva começa nos viveiros, com a produção de mudas, passa pelo plantio e manejo das florestas e chega à operação e manutenção de máquinas.

Nesse processo, são abertas oportunidades para auxiliares de campo, operadores, motoristas, mecânicos, eletricistas e técnicos florestais.

Água Clara tinha população estimada em 17,9 mil habitantes em 2025. Santa Rita do Pardo tinha pouco mais de 7 mil moradores.

Em cidades desse porte, a abertura de algumas dezenas de vagas pode representar o primeiro emprego formal ou a possibilidade de substituir trabalhos ocasionais por uma renda regular.

Mato Grosso do Sul alcançou aproximadamente 1,8 milhão de hectares de florestas plantadas. Água Clara concentrava cerca de 182 mil hectares e já estava entre os principais municípios florestais do país. A expansão também avança em direção a Santa Rita do Pardo.

Segundo o governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, a atividade movimenta outros setores da economia antes mesmo da inauguração das fábricas.

“A cadeia começa a movimentar a economia antes da inauguração de qualquer fábrica, por meio da contratação de trabalhadores, alimentação, transporte, manutenção de veículos e prestação de serviços”, afirma.

Para Riedel, a qualificação profissional pode ajudar trabalhadores a avançar de funções iniciais para atividades técnicas, de operação, manutenção e supervisão.

“O desenvolvimento se torna mais consistente quando o trabalhador consegue começar em uma função de campo, obter formação e avançar para manutenção, operação, supervisão ou atividade técnica sem precisar deixar sua cidade”, diz.

Cursos preparam moradores para trabalhar na floresta

Em Água Clara, o programa MS Qualifica ofereceu cursos de Ajudante de Campo e Viveiro e de Fundamentos de Mecânica de Manutenção de Máquinas Agrícolas.

As capacitações fizeram parte de uma programação estadual de 88 turmas para 1.420 trabalhadores de 27 municípios, com investimento próximo de R$ 3 milhões.

A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) também mantém no município o curso de Tecnologia em Silvicultura.

Já a MS Florestal abriu um programa de preparação de operadores e profissionais de manutenção. Os participantes iniciavam a formação já contratados pela CLT, por prazo indeterminado, e conciliavam aulas com atividades práticas de campo. A prioridade era atender moradores de Água Clara e cidades próximas.

De acordo com Rodrigo Bastos, gestor da região Costa Leste do SENAI, as principais demandas das empresas estão concentradas na operação e manutenção florestal.

“Temos vagas para operadores de máquinas florestais, Harvester e Forwarder, e também para mecânicos de máquinas florestais na área de manutenção”, explica.

A instituição trabalha em conjunto com empresas para aproximar os cursos das necessidades do setor.

Trabalhadores também precisam concluir ensino básico

Além da formação técnica, a escolaridade é apontada como uma dificuldade para parte dos trabalhadores que buscam oportunidades na cadeia da celulose.

Em 2025, 37 pessoas ligadas ao viveiro de Água Clara participaram de um programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) para concluir o ensino fundamental ou médio dentro do próprio local de trabalho.

Segundo Riedel, a formação precisa contemplar diferentes etapas da vida profissional.

“A resposta precisa reunir recuperação da escolaridade, qualificação inicial, ensino técnico, formação superior e atualização permanente”, afirma.

As atividades florestais oferecem oportunidades para diferentes níveis de escolaridade, mas as funções especializadas geralmente exigem formação técnica, habilitação ou experiência com equipamentos e manutenção.

A participação feminina também é apontada como uma possibilidade de ampliação no setor, em áreas como viveiros, laboratórios, controle de qualidade, gestão e operação de máquinas.

Expansão exige cuidados ambientais

O crescimento das florestas plantadas também aumenta a circulação de máquinas e caminhões nas estradas rurais e exige atenção à prevenção de incêndios e à fiscalização ambiental.

A expansão precisa conviver com atividades como pecuária e agricultura, além de áreas de preservação, nascentes e comunidades já instaladas na região.

“A economia florestal será mais sustentável quando os ganhos econômicos forem medidos ao lado dos impactos ambientais e sociais”, afirma o governador.

O Vale da Celulose busca integrar qualificação, logística, produção e sustentabilidade nos 12 municípios abrangidos pela iniciativa.

Para os trabalhadores de Água Clara e Santa Rita do Pardo, a expectativa é que a expansão do setor resulte não apenas em novas contratações, mas também em oportunidades de crescimento profissional e permanência no emprego.

“Não basta abrir uma seleção em determinado mês. É preciso construir carreiras, reduzir a rotatividade e permitir que o trabalhador avance de uma função inicial para atividades mais qualificadas”, diz Riedel.