Política

há 1 hora

Soraya apresenta projeto que cria crime de LGBTIcídio com pena de até 40 anos

Proposta da senadora de MS prevê que homicídios motivados por discriminação contra pessoas LGBTQIAPN+ sejam considerados crimes hediondos

29/09/2026 às 13:11 | Atualizado 29/09/2026 às 12:28 Brenda Souza
Divulgação/Senado

A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) apresentou nesta segunda-feira (28) um projeto de lei que cria o crime de LGBTIcídio no Código Penal. A proposta prevê pena de 20 a 40 anos de prisão para homicídios motivados por discriminação relacionada à orientação sexual, identidade ou expressão de gênero ou características sexuais da vítima.

O texto também inclui o LGBTIcídio na lista de crimes hediondos e estabelece regras específicas para outros crimes cometidos pela mesma motivação, como lesão corporal, ameaça, perseguição e vias de fato.

O projeto, identificado como PL 5.481/2026, também prevê aumento de pena para casos de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou à automutilação quando houver motivação discriminatória.

Segundo a senadora, a criação de um crime específico permitiria identificar esses casos nos registros policiais e judiciais e melhorar a produção de estatísticas sobre a violência contra pessoas LGBTQIAPN+.

“Quando alguém é morto por ser quem é, ou até pelo que o agressor presume que essa pessoa seja, há uma motivação específica que precisa ser reconhecida pelo Estado”, afirmou Soraya.

A proposta também altera a Lei Antirracismo para incluir expressamente orientação sexual, identidade ou expressão de gênero e características sexuais entre as hipóteses protegidas nos crimes de injúria racial e de prática, induzimento ou incitação à discriminação ou ao preconceito.

Projeto cita decisão do STF

Na justificativa, Soraya cita uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2019, quando a Corte reconheceu a existência de omissão legislativa sobre a criminalização da homofobia e da transfobia.

Na ocasião, o STF determinou que essas condutas fossem enquadradas na Lei Antirracismo enquanto o Congresso Nacional não aprovasse uma legislação específica.

O projeto apresentado agora pretende criar regras próprias no Código Penal para definir as condutas e as penas relacionadas a esses crimes.

O texto afirma ainda que opiniões, convicções, crenças e manifestações religiosas não serão criminalizadas. Para a aplicação da lei, seria necessário comprovar a prática de uma das condutas previstas e a existência de motivação discriminatória no caso concreto.

Dados de violência

A proposta cita dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, referentes a 2025. Segundo os números apresentados no projeto, foram registradas 3.481 ocorrências de racismo por homofobia ou transfobia no ano passado, aumento de 35,6% em relação a 2024.

Também foram registrados 5.452 casos de lesão corporal dolosa, 187 homicídios dolosos e 480 estupros contra pessoas LGBTQIAPN+.

O levantamento ressalta, porém, a existência de subnotificação, falta de padronização e lacunas nos registros estaduais, o que dificulta dimensionar a violência contra essa população.

De acordo com a justificativa do projeto, a identificação específica do LGBTIcídio poderia melhorar a coleta de dados e auxiliar na elaboração de políticas públicas de prevenção e combate à violência.