Saúde

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Prefeitura admite que desviou R$ 345 mil da verba do Samu em Campo Grande (vídeo)

Os valores foram usados para fazer a manutenção de 56 veículos que não pertenciam à frota Samu, aponta relatório do DenaSUS

30/09/2026 às 09:30 | Atualizado 30/09/2026 às 07:48 Brenda Souza
Reprodução

A Prefeitura de Campo Grande terá que devolver recursos federais do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) após uma auditoria interna identificar o uso de dinheiro destinado à manutenção das ambulâncias em veículos que não faziam parte da frota do serviço.

A informação foi confirmada pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Villela, durante audiência pública na Câmara Municipal, na segunda-feira (28). Segundo ele, a Secretaria Municipal de Saúde reconheceu o problema administrativo e terá que recompor os valores durante este exercício.

O caso foi levantado pelo vereador Maicon Nogueira (PP), que questionou o uso de R$ 345 mil em serviços de manutenção de veículos que não pertenciam à frota do Samu.

De acordo com o parlamentar, o relatório do DenaSUS (Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde) identificou 64 ordens de serviço referentes a 56 veículos que receberam manutenção com recursos destinados ao atendimento de urgência.

Maicon também apontou que 87,4% das ordens de serviço teriam sido autorizadas sem a apresentação dos três orçamentos, procedimento necessário para garantir transparência e economicidade nas despesas públicas.

O vereador questionou quem autorizou os pagamentos e se os valores já haviam sido integralmente devolvidos à fonte de recursos do Samu.

Em resposta, Villela afirmou que a auditoria do DenaSUS ainda não havia sido concluída, mas que uma apuração interna da Secretaria de Saúde já havia identificado irregularidades na gestão da frota.

"Houve, sim, o diagnóstico, que a gente vai ter que, durante esse exercício, devolver recursos", afirmou.

O secretário reconheceu que houve problemas na utilização dos recursos e disse que a pasta precisou estabelecer procedimentos internos para evitar que situações semelhantes se repitam.

Segundo Villela, a Secretaria de Saúde também cobrou providências da Secretaria Municipal de Administração e de setores responsáveis pelas contratações e manutenção dos veículos.

Ele afirmou que os procedimentos relacionados aos orçamentos melhoraram nos últimos meses, após cobranças aos setores responsáveis.

"Hoje eu posso dizer que melhorou 90%. Hoje está tudo rodando", declarou o secretário ao comentar a situação da frota.

Empresa problema

A Produserv Serviços Ltda., responsável pela limpeza das unidades de saúde de Campo Grande, acumula denúncias de atrasos salariais, descumprimento de obrigações trabalhistas e falhas na prestação dos serviços, apesar de receber mais de R$ 34,4 milhões da Prefeitura. O contrato, firmado em abril de 2020 pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), foi renovado ao longo dos anos e chegou a R$ 34.471.062,93 em março de 2025, com vigência até abril de 2026.

Em março e abril de 2026, mais de 200 trabalhadores denunciaram atrasos nos salários, férias não concedidas e descontos de empréstimos consignados que não eram repassados às instituições financeiras. Segundo os relatos, funcionários estavam com o nome negativado, acumulavam contas atrasadas e, em alguns casos, trabalhavam havia anos sem períodos regulares de descanso. A empresa, que possui mais de 400 funcionários na Capital, recebia mensalmente mais de R$ 2 milhões da prefeitura. Após novas denúncias, trabalhadores afirmaram que continuavam sem receber, mesmo com os descontos realizados em folha. A Produserv negou irregularidades e declarou cumprir as obrigações trabalhistas previstas na CLT.

As falhas também atingiram diretamente a qualidade da limpeza nas unidades de saúde. Relatório técnico do Conselho Municipal de Saúde (CMS), que analisou 78 unidades, apontou que apenas 108 profissionais atuavam nos serviços, embora fossem necessários pelo menos 189, um déficit de 83 trabalhadores distribuído em 60 unidades. O documento identificou falta de papel higiênico, papel-toalha, sabonete líquido, desinfetantes e sacos de lixo, além de situações em que a limpeza era realizada somente com água.

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