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'Nada apaga o último suspiro dela': pai de Kamylla espera justiça em júri por feminicídio (vídeo)
Kamylla ficou mais de três meses internada após ser baleada no pescoço em Campo Grande; acusado vai ao Tribunal do Júri nesta sexta-feira (2)
Quase dois anos depois de ver o último suspiro da filha Kamylla Scarllet Fernandes Cristaldo, o pai, Flávio Cristaldo acompanha nessa sexta-feira (2) o julgamento do autor de Matheus Henrique de Oliveira Domingos, acusado pelo feminicídio da jovem, ocorrido em 2024, em Campo Grande.
Kamylla foi baleada no pescoço em 1º de setembro de 2024, no Jardim Colúmbia. Ela permaneceu internada por mais de três meses e morreu no dia 19 de dezembro daquele ano. Durante esse período, o pai acompanhou de perto o tratamento da filha.
Em entrevista ao TopMídiaNews, Flávio relembra os meses em que permaneceu ao lado de Kamylla no hospital e espera por justiça durante o julgamento.
“Eu morei com ela três meses dentro daquela Santa Casa. Eu tive que ficar com a imagem do último suspiro da minha filha, segurando a mão dela”, conta, emocionado.
Para o pai, nenhuma eventual condenação será capaz de reparar a perda, mas ele espera que o julgamento traga uma resposta da Justiça.
“Eu acredito no homem, nas leis, na Justiça. As provas estão todas nos autos, a Justiça precisa ter bom entendimento”, pede.
Kamylla deixou um filho, que permanece com a família materna. Segundo Flávio, é o pequeno que dá forças aos familiares.
Entenda o caso
Kamylla foi baleada no pescoço em setembro de 2024, enquanto aguardava uma corrida por aplicativo no Jardim Colúmbia.
Na ocasião, ela foi atingida por dois disparos e socorrida em estado grave. Nos primeiros momentos, ainda não havia definição clara sobre autoria e motivação.
Em outubro de 2024, Kamylla continuava internada e a família ainda trabalhava com a hipótese de que ela tivesse sido vítima de um assalto.
A jovem morreu no dia 19 de dezembro de 2024, depois de mais de três meses de internação. Naquele momento, o caso ainda aparecia registrado como homicídio simples.
No dia seguinte, a Polícia Civil informou que a investigação havia avançado e apontou Matheus Henrique de Oliveira Domingos como autor dos disparos. Segundo a apuração policial, Kamylla recuperou a consciência durante a internação e conseguiu indicar quem teria atirado nela.
Ainda conforme a Polícia Civil, a hipótese de assalto foi descartada, e a motivação investigada passou a envolver ciúmes relacionados à amizade entre Kamylla e a então namorada de Matheus.
O autor permaneceu foragido por mais de um ano e foi preso em outubro de 2025.
Com o avanço da investigação e do processo judicial, o caso passou a ser tratado como feminicídio. O acusado será julgado pelo Tribunal do Júri nesta sexta-feira (2).
Para Flávio, o julgamento não apaga a perda, mas representa a expectativa de que o caso tenha uma resposta judicial.
“Pena nenhuma vai trazer minha filha de volta, mas a justiça ainda pode ser feita”, resumiu.