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Promessa de campanha, Hospital Municipal segue sem recursos previstos para 2027
Projeto anunciado com mais de 250 leitos deverá seguir apenas no papel; secretário afirma que contratação ainda não foi definida
Prometido no plano de governo da atual gestão do Executivo Municipal, o Hospital Municipal de Campo Grande segue sem previsão de sair do papel já que não chegou nem a contar proposta de orçamento de 2027. A ausência foi cobrada pelo vereador Ronilço Guerreiro (Podemos) durante audiência pública realizada na Câmara Municipal na última quarta-feira (30).
“Cadê o investimento aqui? Cadê o valor aqui na construção do Hospital Municipal?”, perguntou.
O parlamentar afirmou ter ouvido do secretário de Saúde que o empreendimento seria construído por um formato diferente daquele previsto inicialmente. Diante disso, pediu esclarecimentos sobre o planejamento e os recursos necessários. “Nós estamos em 2026, o ano que vem em 2027, o hospital poderia já estar a todo vapor”, declarou.
O projeto tem um histórico de anúncios e indefinições. O projeto do plano de governo registrado na Justiça Eleitoral para o mandato de 2025 a 2028 apresentou o Complexo Hospitalar como uma estrutura a ser viabilizada pelo modelo BTS (Build to Suit, ou "construído para servir"), em que o imóvel é construído conforme as necessidades de quem vai utilizá-lo.
A proposta de campanha previa 188 leitos de enfermaria, 20 de terapia intensiva, 49 de pronto atendimento e dez salas cirúrgicas. Também anunciava capacidade para atender 1,5 mil pessoas por dia, com exames e diferentes especialidades.
Inicialmente, o empreendimento havia sido pensado para uma área no bairro Chácara Cachoeira, mas a localização também estava em revisão. O modelo então divulgado envolvia construção, equipamentos e locação por 20 anos, com custo estimado em R$ 842 milhões.
Ao TopMídiaNews, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que o hospital continuava como prioridade e que o projeto passava por reavaliação para definir a forma mais adequada de execução.
Na audiência de setembro, o secretário de Fazenda, Isaac José de Araújo, confirmou que a definição do modelo permanecia em discussão. Citou como possibilidades o BTS e uma parceria público-privada, a PPP.
Isaac informou que já havia sido realizado um estudo de viabilidade e que uma licitação lançada anteriormente terminou deserta, sem interessados.
Segundo ele, a indefinição impede estabelecer a previsão de recursos. O secretário também argumentou que, dependendo da contratação, o município não teria desembolso durante a construção.
“Dependendo do tipo de licitação, dependendo do tipo de operação, eu não tenho desembolso enquanto a construção. Por isso que não existe essa previsibilidade aqui”, explicou.
Ronilço voltou a cobrar uma resposta sobre 2027 e criticou a expectativa criada em torno da unidade.
“Como que se cria expectativa na cabeça da população e não sabe como entrega?”, questionou.
No entanto, acabou ficando sem uma resposta definitiva, já que nem mesmo a prefeitura consegue dizer quando o projeto será posto em prática.