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Lídio Lopes se cala sobre assessor preso com R$ 127 mil e suspeito de compra de votos

Deputado foi procurado após prisão de José Antônio Pires de Souza, o Zé Bocão, que estava com material de campanha e teria oferecido R$ 5 mil a policiais para evitar prisão

02/10/2026 às 07:51 | Atualizado 02/10/2026 às 08:05 Brenda Souza
Repórter Top/Arquivo TopMídiaNews

A prisão do assessor parlamentar José Antônio Pires de Souza, conhecido como Zé Bocão, deixou uma série de questionamentos sem resposta por parte do deputado estadual e candidato à reeleição Lídio Lopes (Avante). O parlamentar foi procurado pela reportagem, mas, até a publicação desta matéria, não havia se manifestado sobre o caso.

Zé Bocão foi preso na noite de quarta-feira (30), na região de Iguatemi, com R$ 127 mil em dinheiro vivo, além de santinhos, adesivos, camisetas e outros materiais da campanha de Lídio Lopes. O caso é investigado pela Polícia Federal sob suspeita de compra de votos.

A situação ganhou novos contornos depois que a polícia detalhou a forma como o dinheiro estava acondicionado. Os valores foram divididos em envelopes identificados com nomes de pessoas e municípios, com quantias que chegavam a R$ 25 mil.

Entre as identificações estavam Pastes, Levi, Izaque, Maycon, Léo Eldorado, Marilza, Zé Antônio e Jeovan. Também havia envelopes destinados a Itaquirai, Mundo Novo e Japorã. A soma dos valores encontrados chegou aos R$ 127 mil.

Segundo o boletim de ocorrência, ao ser questionado sobre a origem do dinheiro, o assessor afirmou que levaria os valores para Mundo Novo e confirmou que trabalhava na campanha de Lídio. No entanto, conforme o registro policial, ele não explicou a origem nem a finalidade das quantias que estavam separadas e identificadas.

Tentativa de suborno

Durante a abordagem, Zé Bocão teria oferecido R$ 5 mil para cada policial militar que atendia a ocorrência para evitar a prisão.

A proposta foi recusada pelos militares, e o assessor recebeu voz de prisão em flagrante. Ele foi encaminhado inicialmente à Polícia Civil e posteriormente entregue à Polícia Federal, responsável pela investigação.

Sem explicações

Desde a divulgação da prisão, a reportagem procurou a assessoria de Lídio Lopes para esclarecer se o deputado tinha conhecimento do transporte do dinheiro, qual seria a origem dos valores, para quem seriam destinados os envelopes e se Zé Bocão estava atuando oficialmente na campanha no momento da abordagem.

Também foi questionado se o assessor continua vinculado ao gabinete do parlamentar e qual é a posição de Lídio diante da suspeita investigada pela Polícia Federal.

Até o momento, não houve resposta.

Ainda assim, Lídio participou do seu último comício realizado na noite desta quinta-feira (1°) em Campo Grande ao lado da família.