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Você sabia que o mel de abelha sem ferrão pode custar até R$ 2,5 mil o quilo? Em Campo Grande tem!
Capital recebe encontro de meliponicultores no mês de novembro
Quando se fala em abelha, a imagem que prontamente vem à cabeça é um bichinho amarelo e preto (ou marrom), com o temido ferrão na extremidade do "bumbum". Porém, também existem espécies sem esse órgão e que produzem mel, como a jataí. Para falar sobre isso e muito mais, será realizado o 1º Encontro ASFMS (Abelhas Sem Ferrão) de Meliponicultores de Mato Grosso do Sul, no dia 15 de novembro.
Por serem menores do que as abelhas mais conhecidas, as jataís por vezes são confundidas com mosquitos. Apesar disso, o mel que as abelhas sem ferrão produzem costumam valer muito no mercado, com preço a partir de R$ 600, podendo chegar a R$ 2,5 mil o quilo, dependendo da espécie.
Mais do que uma atividade ligada à produção de mel, a meliponicultura também chama atenção pelo papel das abelhas na natureza. Ao visitar flores em busca de alimento, elas transportam pólen e contribuem para a reprodução de plantas, formação de frutos e sementes e manutenção da biodiversidade.
E quem pensa que existe apenas um tipo de abelha nativa sem ferrão pode se surpreender. São inúmeras espécies, com diferentes tamanhos, cores, comportamentos e até formatos de entrada das colônias. Enquanto algumas produzem uma quantidade maior de mel, outras têm produção bastante limitada, que acaba por aumentar o valor do mel produzido.
Uma das propostas do encontro é justamente apresentar essa diversidade e ajudar o público a reconhecer as espécies que podem estar presentes no próprio quintal, por vezes, morando dentro de paredes ou troncos de árvores, entre outros locais.
A criação também pode começar de maneira simples. Pequenas estruturas feitas com materiais reaproveitados podem ser instaladas em locais adequados para que as próprias abelhas encontrem o espaço e formem uma nova colônia, sem a necessidade de retirar ninhos da natureza.
Para Bruno Abreu, do Meliponário Abreu, o contato com as abelhas acaba transformando também a relação das pessoas com o ambiente. Ele conta que ao observar quais flores elas visitam, passa a prestar mais atenção nas árvores, nas épocas de florada e nas plantas que podem oferecer alimento às colônias.
Com isso, surgem iniciativas como o cultivo de flores, troca e doação de mudas e sementes e a interação entre meliponicultores.
A jataí, já mencionada no início da matéria, que tem o nome científico de Tetragonisca angustula, uma das espécies nativas sem ferrão mais conhecidas do Brasil, é um exemplo dessa diversidade. "Seu mel desperta interesse não apenas pelo sabor e pela produção limitada, mas também pelas suas características particulares. O mel de jataí e de outras abelhas sem ferrão tem sido estudado por suas características físico-químicas, microbiológicas e pela presença de compostos bioativos", explica Bruno.
Mas o universo da meliponicultura vai muito além do mel. A atividade envolve também criação e comercialização regularizada de colônias, produção de caixas e outros materiais para manejo, além de produtos das colônias, como cera, pólen e alimentos armazenados pelas próprias abelhas, segundo conta Bruno.
O criador também conta que por vezes, os meliponicultores apenas querem uma atividade para espairecer. "Há ainda quem mantenha as colônias por hobby, conservação, observação ou simplesmente pelo interesse em conhecer diferentes espécies. Cada uma tem comportamentos próprios, o que faz do acompanhamento das colônias uma atividade que pode se transformar em paixão."
Durante o encontro, o público poderá conhecer mais sobre identificação de espécies, genética, manejo, reprodução de colônias, alimentação, prevenção de doenças e pragas, preparação de moradias para atração de novas colônias, produtos das abelhas e preservação ambiental.
Bruno explica que a ideia é aproximar tanto quem já trabalha ou mantém abelhas quanto quem nunca teve contato com a meliponicultura. Não é preciso ser criador para participar. "A ideia do Meliponário Abreu é justamente aproximar quem já vive a meliponicultura de quem ainda está descobrindo esse universo. Quem sabe o visitante que chegar apenas curioso para descobrir que 'bichinho' está vivendo no muro de casa não saia de lá olhando para as flores de outra maneira, e até pensando em montar a primeira casinha para as abelhas?", conclui.
Serviço:
O 1º Encontro ASFMS de Meliponicultores de Mato Grosso do Sul será realizado no dia 15 de novembro, às 17h, na Rua Assaré, 308, no bairro Pioneiros, em Campo Grande, próximo à nova rodoviária. A entrada é gratuita e o Meliponário Abreu será o anfitrião.