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há 2 horas

Dinheiro da aposentadoria de Campo Grande não foi devolvido pelo Banco Master; entenda

Prefeitura afirma ter recuperado valor equivalente ao investimento, mas recursos vieram de parcelas de empréstimos consignados que seriam repassadas ao banco

12/10/2026 às 13:30 | Atualizado 09/10/2026 às 14:35 Brenda Souza
IMPCG (Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Campo Grande) - Arquivo/TopMídiaNews

O dinheiro do IMPCG (Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande) aplicado no Banco Master não foi devolvido pela instituição financeira. Apesar de a Prefeitura afirmar que recuperou valor equivalente ao investimento, os recursos vieram da retenção de parcelas de empréstimos consignados de servidores municipais que seriam repassadas ao banco.

O caso envolve cerca de R$ 1,2 milhão do dinheiro destinado ao pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores públicos municipais. A aplicação em letras financeiras do Banco Master passou a ser questionada após a instituição, ligada ao empresário Daniel Vorcaro, entrar em liquidação extrajudicial.

Apesar disso, existe uma grande diferença entre recuperar um valor equivalente e receber o dinheiro de volta, o que é central para entender o caso. A retenção dos consignados permitiu ao município manter recursos que seriam transferidos ao banco, mas não representa o resgate da aplicação previdenciária.

Como o dinheiro foi parar no Banco Master?

O IMPCG é responsável pela gestão dos recursos previdenciários dos servidores municipais. O instituto aplicou cerca de R$ 1,2 milhão em letras financeiras emitidas pelo Banco Master.

Esse tipo de investimento não tem cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), mecanismo que protege determinadas aplicações financeiras dentro de limites estabelecidos. Por isso, os recursos aplicados pelo instituto não contam com a mesma garantia oferecida a produtos cobertos pelo fundo.

Com a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, a recuperação do dinheiro passou a depender dos procedimentos de liquidação e da disponibilidade de recursos para pagamento dos credores.

Isso significa que o instituto não tem garantia de receber imediatamente o valor investido nem de recuperar integralmente a quantia.

Como a Prefeitura diz ter recuperado o valor?

Para evitar que os recursos fossem repassados ao Banco Master, a Prefeitura recorreu à Justiça e obteve autorização para reter parcelas de empréstimos consignados contratados por servidores municipais com a instituição financeira.

Nesse tipo de operação, as prestações são descontadas diretamente dos salários dos trabalhadores e repassadas ao banco credor. Com a retenção, o município impediu que esses valores fossem transferidos à instituição.

Segundo já detalhado pelo TopMídiaNews, a Prefeitura alegou ter recuperado o montante equivalente ao investimento, acrescido de aproximadamente R$ 227 mil em rendimentos.

Entretanto, o dinheiro retido dos consignados tem origem diferente da aplicação feita pelo IMPCG. Portanto, o valor investido continua perdido.

Por que a Polícia Federal investiga o caso?

A aplicação também é alvo de investigação da Polícia Federal. Em agosto de 2026, a corporação deflagrou uma operação para apurar possíveis irregularidades no investimento de aproximadamente R$ 1,2 milhão do IMPCG no Banco Master.

Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão, além de medidas relacionadas ao afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados. Entre os alvos estava a vice-prefeita de Campo Grande, Camilla Nascimento, que na época era presidente do IMPCG e ignorou os alertas sobre o banco, autorizando a aplicação.

A investigação teve origem em auditorias do Ministério da Previdência Social, que identificaram possíveis falhas no procedimento administrativo utilizado para autorizar a operação.

A apuração busca esclarecer se os responsáveis pela decisão observaram as exigências técnicas e administrativas aplicáveis aos investimentos dos regimes próprios de previdência.

O dinheiro pode voltar aos cofres públicos?

A recuperação dos recursos investidos depende do andamento dos procedimentos relacionados à liquidação do Banco Master e da existência de ativos disponíveis para pagar os credores.

Como as letras financeiras não são cobertas pelo FGC, o IMPCG não conta com o mecanismo de ressarcimento utilizado para determinadas aplicações bancárias.

A retenção das parcelas dos consignados é uma medida distinta da recuperação do investimento. Por isso, mesmo que a Prefeitura mantenha a informação de que obteve valor equivalente ao aplicado, ainda é necessário esclarecer o destino da aplicação original e os efeitos definitivos das decisões judiciais.