Outubro Rosa

há 3 horas

Aos 31, mulher vence câncer de mama e celebra fim de tratamento: 'Eu continuo sendo mulher'

Após sessões de tratamento, Ana Calderoni celebrou a retirada do port-a-cath

09/10/2026 às 07:00 | Atualizado 09/10/2026 às 09:34 Sarai Brauna
Repórter Top

Aos 31 anos, Ana Calderoni encerrou um dos capítulos mais difíceis de sua vida. Depois de enfrentar um câncer de mama agressivo, perder os cabelos, passar por sessões de tratamento e retirar a mama esquerda, ela celebrou, no dia 17 de setembro, a retirada do port-a-cath, dispositivo utilizado durante o tratamento para aplicação de medicamentos direto no sangue.

Para Ana, o procedimento representa o encerramento de uma etapa marcada por medo, mudanças no corpo e muitas incertezas. Ela conta que recebeu o diagnóstico aos 29 anos e precisou aprender a se reconhecer novamente diante do espelho. “Eu perdi meus cabelos. Passei pela fase de me olhar no espelho e não reconhecer a mulher que estava diante de mim. Vi minha aparência mudar, meu corpo mudar e minha autoestima ser colocada à prova”, relata.

Além da queda dos cabelos, Ana precisou passar por uma mastectomia na mama esquerda. A mudança, segundo ela, trouxe dias de lágrimas, insegurança e a necessidade de reconstruir a própria percepção sobre beleza e feminilidade. “Não foi apenas uma parte do meu corpo que se foi. Foi preciso reconstruir dentro de mim a maneira de enxergar a minha própria beleza”, afirma.

‘Eu continuo sendo mulher’

Mesmo diante das transformações provocadas pelo tratamento, Ana diz que nunca deixou de se enxergar como mulher. “Eu continuo sendo mulher. Continuo gostando de me cuidar, de fazer minhas unhas, de me olhar no espelho e me sentir bonita. Porque a minha feminilidade nunca esteve em uma mama, nos meus cabelos ou em qualquer padrão de beleza. Ela sempre esteve em mim”, declara.

Hoje, com os cabelos novamente crescidos e os cílios de volta, ela diz que se sente feliz ao olhar para as próprias fotos e perceber a transformação entre o período do tratamento e o momento atual.

“A carequinha ficou para trás. Os cabelos voltaram. As marcas permanecem, mas agora carregam uma história. E a falta de uma mama não diminuiu a mulher que eu sou”, afirma.

O dia que marcou uma nova fase

A retirada do port-a-cath, em 17 de setembro, foi um dos momentos mais marcantes dessa caminhada.

Para Ana, o dispositivo deixou de ser apenas um objeto relacionado ao tratamento e passou a representar tudo o que ela enfrentou. Ela conta que, ao sair do procedimento, sentiu como se estivesse fechando um capítulo que nunca escolheu viver.

“Foi como fechar um capítulo de uma história que eu nunca escolhi viver, mas que enfrentei com todas as minhas forças”, conta.

Ela atribui à fé em Deus parte importante da força que encontrou durante o tratamento. “Quando minhas forças acabavam, foi Ele quem me sustentou. Quando eu pensei que não conseguiria, foi Ele quem me deu forças para continuar. A minha fé foi o meu abrigo nos dias em que tudo parecia difícil demais”, afirma.

Ana diz que, segundo sua avaliação e o acompanhamento médico, está curada e não apresenta vestígios da doença. A retirada do port-a-cath marcou, para ela, o início de uma nova fase.

Mensagem para outras mulheres

No Outubro Rosa, mês de conscientização sobre o câncer de mama, Ana decidiu compartilhar a própria história para encorajar outras mulheres que enfrentam a doença.

Ela lembra que descobriu o câncer aos 29 anos e que hoje, aos 31, consegue olhar para tudo o que viveu de outra maneira. “Hoje, quando olho para o meu corpo, não vejo apenas aquilo que perdi. Vejo tudo aquilo que sobrevivi”, diz.