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há 1 hora

Vereadores e secretários envolvidos em desvio de verbas de hospital são afastados em Sidrolândia

Além dos eleitos, outros três ex-vereadores também foram afastados de suas funções públicas

08/10/2026 às 14:11 | Atualizado 08/10/2026 às 11:46 Brenda Souza
Divulgação/Câmara dos Vereadores de Sidrolândia

A Justiça determinou o afastamento por 180 dias de três vereadores e três ex-vereadores de Sidrolândia (MS), investigados na Operação Dirty Pix. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (7), mesmo dia em que o Ministério Público de Mato Grosso do Sul deflagrou a segunda fase da investigação.

Foram afastados os vereadores Cledinaldo Cotócio (PSDB), Adavilton Brandão (MDB) e Izaqueu Diniz (PSD), conhecido como Gabriel Autocar. Também foram atingidos pela decisão os ex-vereadores Enelvo Felini Júnior, Cleyton Martins e Ademir Gabardo, que atualmente ocupam cargos na Prefeitura de Sidrolândia.

A decisão é da juíza May Meike Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias da Comarca de Campo Grande. Além do afastamento, os investigados ficam proibidos de exercer atividades de gestão, administração ou chefia durante o período determinado pela Justiça.

Supostos pagamentos

A investigação aponta que os agentes políticos teriam recebido valores relacionados ao esquema investigado. O Ministério Público chegou às movimentações após a quebra dos sigilos bancários.

Entre os pagamentos citados estão R$ 25 mil para Cledinaldo Cotócio, R$ 120 mil para Gabriel Autocar e R$ 20 mil para Cleyton Martins.

Conforme o site Região News, também foram identificados repasses de R$ 20 mil para pessoas ligadas aos investigados. Parte das transferências teria sido feita por meio de familiares e terceiros.

Segundo a investigação, o empresário Júlio César Alves da Silva recebeu R$ 482,5 mil de empresas investigadas, apresentados como pagamentos por representação comercial. Desse valor, R$ 100 mil teriam sido transferidos posteriormente para a filha dele, apontada como responsável por parte dos repasses investigados.

Segunda fase

A segunda fase da Operação Dirty Pix cumpriu três mandados de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão em Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju e Selvíria.

A investigação começou com suspeitas de desvio de recursos destinados à compra de uma máquina de ressonância magnética e de uma autoclave para o Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia.

Com o avanço das apurações, o Ministério Público identificou suspeitas envolvendo outros convênios. Os recursos investigados ultrapassam R$ 18 milhões e incluem verbas destinadas à compra de equipamentos e materiais hospitalares, aquisição de uma UTI móvel e obras de reforma do hospital.

De acordo com o MPMS, os investigadores encontraram indícios de planos de trabalho com informações fraudulentas, superfaturamento e direcionamento de contratos para empresas previamente alinhadas ao grupo investigado. Parte dos recursos, segundo o órgão, teria sido posteriormente redistribuída por meio de transferências para agentes políticos, intermediários e outras pessoas.

A primeira fase da operação foi deflagrada em novembro de 2025 e investigou inicialmente um suposto desvio de R$ 5,4 milhões destinados à compra da ressonância e da autoclave.

Com o afastamento dos vereadores, os respectivos suplentes deverão ser convocados para ocupar temporariamente as vagas na Câmara Municipal durante os 180 dias determinados pela Justiça.