Campo Grande

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Prisão durante reportagem, choro e entrevista inusitada: os perrengues dos 13 anos do TopMídiaNews

Diariamente, nossas equipes saem por Campo Grande trazendo informações, mas também encaram vários desafios nas coberturas com situações inesperadas, momentos de emoção e improvisos que marcaram a rotina de reportagem

11/10/2026 às 11:30 | Atualizado 09/10/2026 às 14:34 Brenda Souza
Arquivo TopMídiaNews

Quem trabalha com reportagem nas ruas sabe que nem sempre as coisas saem como planejado. Entre entrevistas, transmissões ao vivo e apurações, situações inesperadas podem transformar uma cobertura comum em uma história que fica na memória.

A jornalista Meri Oliveira, que completou quatro anos de atuação no TopMídiaNews no dia 5 de outubro, tem boas histórias para contar sobre os bastidores da profissão em Campo Grande.

Um dos episódios mais inusitados aconteceu durante a apuração de um caso de pessoa baleada no Parque do Lajeado, na Capital. Enquanto se dirigia para conversar com dois jovens que estavam em uma calçada, Meri foi surpreendida pela chegada de uma viatura policial.

Os policiais desceram do veículo, abordaram os dois rapazes e realizaram uma revista. Na sequência, um deles foi preso por tráfico de drogas, segundo a jornalista, que explicou que o jovem estaria vendendo entorpecentes naquela esquina.

O que parecia ser apenas mais uma apuração policial acabou colocando a equipe no meio da ocorrência. Meri e o então colega de reportagem precisaram fornecer os dados pessoais para serem identificados como testemunhas da prisão.

A situação, que não fazia parte do roteiro da reportagem, virou um daqueles episódios que mostram como o trabalho nas ruas pode reservar surpresas a qualquer momento.

História de superação terminou em choro durante transmissão ao vivo

Nem todos os acontecimentos inesperados, porém, envolvem situações policiais. Alguns são capazes de transformar uma reportagem em um momento de emoção. Meri também se lembra de uma transmissão ao vivo realizada em uma lanchonete chamada O Glória Lanches, comandada por Glória Maria, uma senhora que conquistou a equipe com sua história de vida.

Durante a conversa, a proprietária contou que trabalhava com um carrinho de cachorro-quente na região do Taveirópolis. A vida dela mudou depois que o filho foi assassinado. Abalada pela perda, Glória entrou em depressão e precisou encontrar uma maneira de seguir em frente.

A saída foi transformar o amor que sentia pelo filho em algo que pudesse compartilhar com outras pessoas: a comida. Ela se mudou para outro bairro e abriu o próprio estabelecimento, decidida a colocar nos lanches e pratos preparados por ela todo o carinho que carregava no coração.

Mas a iniciativa ia muito além da cozinha. Glória também decidiu dar oportunidades de trabalho a pessoas frequentemente marginalizadas pela sociedade. Entre os funcionários, havia um homem homossexual, uma pessoa em recuperação da dependência química e, segundo a lembrança da jornalista, uma mulher trans.

A empresária enxergava os funcionários como filhos e dizia amá-los profundamente. Ao contar a história, ela emocionou Meri e o colega que a acompanhava na reportagem. O resultado foi uma cena difícil de controlar, já que a jornalista não conseguiu segurar o choro durante a transmissão ao vivo.

Entrevista sobre unidade de saúde teve resposta inesperada

Se algumas reportagens surpreendem pela emoção, outras ficam marcadas pelo humor involuntário. Em uma cobertura sobre o possível fechamento de uma unidade básica de saúde, Meri precisou improvisar para tentar conseguir uma resposta objetiva de um dos entrevistados.

Moradores protestavam contra o encerramento das atividades da unidade e insistiram para que a equipe conversasse com o paciente mais idoso atendido no local.

A jornalista perguntou ao homem como ficaria o atendimento médico caso o posto fosse fechado. Em vez de responder diretamente, ele começou a divagar e contou que estava triste porque a companheira havia morrido meses antes, depois de 73 anos de casamento. Também mencionou que havia viajado 34 vezes para Aparecida do Norte.

Ao perceber que a conversa havia tomado outro rumo, a nora do idoso, que estava ao lado dele, interveio e pediu que Meri repetisse a pergunta.

Sem desistir da entrevista, Meri mudou de estratégia e perguntou sobre o grupo de convivência da unidade, que oferecia atividades como música e canto. A intenção era entender como o idoso ficaria sem aquele espaço de socialização.

A resposta, no entanto, encerrou qualquer tentativa de arrancar uma preocupação mais detalhada sobre o possível fechamento: “Ah, minha filha, se acabar, acabou”.

A entrevista terminou como um retrato das dificuldades de quem trabalha com jornalismo de rua: nem sempre é possível prever o rumo de uma conversa, e improvisar faz parte do trabalho.