Campo Grande

há 1 hora

Falta de estrutura e espera de anos por cirurgia estão no topo de reclamações na UPA Universitário

Pacientes cobram agilidade em exames e denunciam ausência de insumos na rede pública de saúde

19/10/2026 às 15:00 | Atualizado 19/10/2026 às 13:47 Diana Christie e Thiago de Souza
Arquivo/TopMídiaNews

Problemas de infraestrutura, falta de medicamentos e espera prolongada por procedimentos médicos... Essas foram as maiores reclamações de pacientes entrevistados pelo TopMídiaNews neste domingo (18), na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Universitário, em Campo Grande (MS).

A operadora de caixa Sandra Regina, de 50 anos, esteve no local e apontou a ausência de leitos e equipamentos adequados como o principal obstáculo para a população. Durante a permanência na unidade, ela isentou os funcionários pelas falhas no serviço. "Não é culpa dos profissionais de saúde, porque eles estão lá dispostos a atender. Falta equipamento, falta investimento na área da saúde", afirmou.

A moradora lembrou que a precarização ocorre em outras áreas, citando aparelhos quebrados encontrados no ano passado durante uma busca por atendimento odontológico na rede municipal.

As idas constantes aos postos em busca de assistência geram frustração nas famílias. O operador de empilhadeiras Gilmar Ferreira de Lima, de 54 anos, precisou retornar à unidade médica para tentar resolver um problema na vesícula da esposa. Ele criticou a lentidão na liberação de exames. "Tô com a minha esposa de novo aqui, já viemos umas quantas vezes e nada", lamentou.

Gilmar descreveu a saúde pública como precária e cobrou os políticos pelas promessas não refletidas na realidade de quem enfrenta a lentidão do sistema.

O tempo excessivo nas filas afasta os moradores das unidades de saúde. Lucas de Oliveira, de 26 anos, residente no bairro Centro-Oeste, aguarda uma intervenção médica há quatro anos. A falta de respostas da prefeitura causou desânimo e o fez parar de buscar os postos da Capital. "Tô quatro anos esperando por uma cirurgia no joelho e até hoje não fiz", declarou.

O jovem explicou que a dor diminuiu por conta própria ao longo do tempo, mas apontou que o silêncio do poder público expõe a dificuldade diária enfrentada por quem continua dependente dos agendamentos.

A reportagem procurou a prefeitura de Campo Grande para responder sobre a atual situação do abastecimento de medicamentos e da disponibilidade de equipamentos e leitos na UPA Universitário; quais medidas estão sendo tomadas para reduzir o tempo de espera por exames especializados e procedimentos cirúrgicos na rede pública municipal; se existe algum cronograma de manutenção ou substituição de equipamentos odontológicos e médicos que apresentam falhas; e como a Secretaria de Saúde avalia as demandas apresentadas pelos pacientes e quais investimentos estão previstos para sanar essas deficiências. 

Em nota, a Sesau respondeu que "a unidade está abastecida com medicamentos e conta com o quantitativo de leitos previsto pelo Ministério da Saúde. A unidade dispõe dos equipamentos essenciais para atendimento, e há também processo de compra em andamento para reposição de itens. A Secretaria monitora a demanda por consultas, exames e cirurgias por meio da regulação assistencial e busca ampliar a oferta de serviços para reduzir o tempo de espera".