Polícia

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Família diz que homem morto em confronto não participou de latrocínio no Lageado (vídeo)

Companheira afirma que Bruno Souza estava dormindo quando policiais entraram na casa; segundo ela, família suspeita que irmão tenha usado documentos da vítima

21/10/2026 às 09:30 | Atualizado 21/10/2026 às 09:47 Brenda Souza e Itamar Buzzatta
Marcas de disparos do confronto ficaram na janela - Chris Velasco

A família de Bruno Souza, morto durante um confronto com policiais, afirma que ele não participou do latrocínio que matou Gian Marcelo, de 27 anos, na última sexta-feira (16). Alexandra Raquiele, de 19 anos, companheira de Bruno e mãe do filho de quatro meses do casal, aponta o irmão dele, Miguel, como a pessoa que teria envolvimento no crime. Miguel foi preso em São Paulo.

Em entrevista, Alexandra afirmou que Bruno estava dormindo quando os policiais chegaram à residência, por volta das 4h. Segundo ela, os agentes entraram no imóvel, retiraram-na do quarto e, pouco depois, ela ouviu um disparo. A jovem disse que só viu o companheiro sendo levado pelos policiais e que, posteriormente, foi informada de que deveria ir ao Centro Regional de Saúde do Coophavilla II para tratar dos procedimentos relacionados ao corpo.

Alexandra sustenta que Bruno não estava armado e não reagiu à abordagem. A jovem também contestou informações que atribuem a Bruno envolvimento no latrocínio. Segundo ela, o nome dele teria sido associado ao caso após uma referência a um homem conhecido como “Neguinho”. Alexandra afirma que, quando questionada por um policial sobre o apelido do companheiro, respondeu que Bruno era conhecido como “Taxista” e explicou que “Neguinho” seria Miguel, irmão da vítima.

Família suspeita de uso de documentos

Outro ponto levantado pela família é a possibilidade de Miguel ter usado os documentos pessoais do irmão. Alexandra contou que procurou o RG de Bruno para providenciar os procedimentos do velório, mas não conseguiu encontrá-lo.

Segundo ela, a suspeita ganhou força depois que a família teve conhecimento de uma reportagem na qual Miguel teria dito que usou o nome de Bruno. A companheira também relatou ter ouvido que ele tentou viajar, mas não conseguiu embarcar após uma verificação por reconhecimento facial na rodoviária. Não há, nas informações fornecidas, confirmação independente sobre o uso dos documentos ou sobre o motivo que impediu a viagem.

Alexandra afirmou ainda que Bruno havia deixado a prisão cerca de seis meses antes e, desde então, teria retomado a rotina de trabalho formal e a vida familiar. Segundo ela, ele havia decidido abandonar atividades criminosas após a experiência na cadeia e passou a trabalhar com carteira assinada.

“Ele não tá envolvido com isso”, afirmou a jovem ao defender a inocência do companheiro.

Confronto

Bruno Rafael Souza da Silva, de 18 anos, morto em confronto com policiais do Batalhão de Choque na madrugada desta segunda-feira (19), no bairro Caiobá, em Campo Grande, era suspeito de envolvimento no latrocínio de Gian Marcelo, de 27 anos, ocorrido na noite de sexta-feira (16), no Parque do Lageado. Segundo a polícia, Bruno seria o responsável pelo disparo que atingiu a vítima durante o assalto.

Conforme noticiado pelo TopMídiaNews, Gian havia acabado de chegar de Ponta Porã com a esposa quando foi surpreendido por criminosos armados e encapuzados. Durante a abordagem, ele tentou fugir, mas acabou baleado nas costas.

Gian chegou a ser socorrido em estado grave e encaminhado para atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois. 

Segundo o Batalhão de Choque, os criminosos também roubaram um Volkswagen Gol, que posteriormente foi encontrado incendiado. As investigações levaram à identificação de dois suspeitos de participação no crime.

Prisão de comparsa levou policiais ao Caiobá

Na madrugada desta segunda-feira (19), Yuri Silva Santos Modesto, de 27 anos, foi localizado e preso. Conforme a Polícia Militar, ele confessou participação no latrocínio e forneceu informações sobre a dinâmica do crime, além de indicar um imóvel no bairro Tijuca utilizado para armazenar objetos subtraídos e materiais ilícitos.

No endereço, os policiais apreenderam uma espingarda calibre 12, uma pistola, dispositivos conhecidos como kit Roni, utilizados para adaptar pistolas, além de pneus e mercadorias de origem paraguaia, incluindo produtos apontados como contrabando.

Durante as diligências, os militares chegaram à localização de Bruno Rafael, apontado como autor do disparo que matou Gian. Uma equipe seguiu até um imóvel no Caiobá para tentar abordá-lo.

Segundo a polícia, Bruno sacou um revólver e apontou a arma contra os militares, mesmo após receber ordens para soltá-la. Diante da ameaça relatada, os policiais efetuaram disparos contra o suspeito.

O bandido foi atingido e socorrido ao CRS (Centro Regional de Saúde) do Coophavila, mas não resistiu aos ferimentos.

Com ele, foi apreendido um revólver calibre .38. A perícia técnica esteve no local, e os materiais recolhidos durante a operação foram encaminhados para os procedimentos legais.