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Aparelho de oxigênio usado por Anna Laura estaria funcionando na 'gambiarra' antes da morte da bebê
Relato da mãe encaminhado para a Associação de Vítimas de Erros Médicos de MS expõe possíveis erros ao longo do tratamento da criança
A mãe de Anna Laura Insarralde Araújo, de 8 meses, que morreu no último dia 11 de outubro, em Campo Grande, denunciou possíveis falhas nos atendimentos médicos prestados à filha em três unidades de saúde da Capital. Segundo o relato encaminhado à Associação de Vítimas de Erros Médicos de MS, a bebê recebeu alta duas vezes da UPA Universitário, teve exames questionados durante uma transferência e enfrentou problemas com um equipamento de oxigenação no Hospital Regional antes de morrer.
A criança começou a receber atendimento na quarta-feira (7), quando foi levada à UPA Universitário. Conforme a mãe, um exame de raio-X apontou manchas no pulmão, mas a equipe médica optou pela alta com prescrição de medicamentos. No sábado (10), a bebê retornou à unidade com febre, vômito e diarreia e, após novos atendimentos e agravamento do quadro, foi transferida para o Hospital de Câncer e, posteriormente, para o Hospital Regional.
De acordo com o relato da mãe, Ana Maria Morel Inssaralde, entregue para a Avem (Associação de Vítimas de Erros Médicos) de Mato Grosso do Sul, mesmo com o resultado do exame, a equipe médica responsável optou pela alta da criança em conjunto com a prescrição de remédios.
Três dias depois, Ana Maria retornou com a filha para atendimento médico na UPA, por volta das 2h da madrugada de sábado (10). A criança apresentava sintomas de febre e vômito, além de diarreia e, de acordo com a mãe, a orientação médica foi de administrar uma dose de dipirona na criança e a liberou novamente. Após quatro horas, Anna Laura retornou às 6 horas da manhã, uma vez que os sintomas permaneceram os mesmos.
"Chegando lá, nós passamos pela triagem novamente e, no atendimento, o médico pediu um novo raio-X. Eles fizeram o resgate nela com bombinha, utilização de soro e colocaram ela no oxigênio. Ela realizou quatro exames, mas sem resultado e a saturação de sangue dela começou a cair".
Com a piora no quadro de saúde, foi realizado um pedido de vaga no Hospital de Câncer. Às 14 horas, a criança foi encaminhada para o hospital, porém, quando a ambulância chegou à UPA, a médica responsável teria informado que Anna Laura não teria exames, versão que foi contestada pela mãe. De acordo com Ana Maria, a criança havia, sim, realizado exames na UPA, e, apesar de não terem sido entregues, ela teve contato com eles após o falecimento da filha, e que não teriam sido perdidos como alegado.
"Ela deu entrada no Hospital do Câncer por volta das 15h27, já com soro na veia e com oxigênio. Depois que foi internada, ela recebeu um medicamento que deixou a parte interna e externa da boca amarela e com pontos escuros. Eu recorri à enfermeira, que chamou o médico e a medicação foi suspensa imediatamente".
Com um novo agravo no quadro de saúde da criança, a equipe solicitou transferência para o Hospital Regional. Por volta das 18h30 de sábado, a criança deu entrada em sua terceira internação. Anna Laura foi encaminhada para a Sala Vermelha e foi submetida à intubação. Segundo a mãe da criança, ainda com a intubação, a bebê não apresentou melhora, e a equipe optou por levá-la para um procedimento cirúrgico para a realização de um acesso para drenagem do pulmão.
"Eles saíram com ela da Sala Vermelha e estavam a caminho do centro cirúrgico, e aí a equipe retirou o oxigênio dela para passar para outra máquina, porém não conseguiram ligar na hora e ela ficou um tempo intubada, porém sem oxigênio. Eles começaram a realizar a oxigenação manual e, após mais uma tentativa, conseguiram ligar a máquina".
Para o desespero de Ana Maria, no meio do caminho até a sala de cirurgia, a máquina parou de funcionar pela segunda vez, e segundo a mãe, neste momento, uma das pessoas da equipe médica teria afirmado para outra que a máquina funcionava no modo 'gambiarra'. Para continuar o caminho, a equipe voltou a realizar a oxigenação manual e, quase ao final do caminho, a máquina voltou a funcionar.
"Ao entrar no centro cirúrgico, eu fui deixada pra fora e, depois de algum tempo, eles me disseram que estava tudo certo, que ela havia sido enviada para a UTI e, após várias tentativas minhas, me deixaram entrar para ver".
De acordo com a mãe, depois que a filha deu entrada na UTI, ela recebeu o primeiro diagnóstico desde o dia 7 de outubro, quando foi informada que o caso da sua filha era uma pneumonia que teria evoluído e que a criança apresentava sangramento no pulmão.
"O médico me informou que o caso dela era grave e que ela estava desidratada e com anemia. Me disseram que foi feita indução de bolsas de sangue, que administraram adrenalina nela, mas que nada tinha dado resultado e que o batimento do coração estava caindo e a saturação dela também. Por volta das 4h15 da madrugada de domingo, ela passou a ser reanimada diversas vezes, mas não retornou em nenhuma das tentativas e eles constataram o óbito".
A reportagem procurou a Sesau, o Hospital do Câncer e o Hospital Regional para obter detalhes sobre as internações e aguarda retorno.
O caso foi registrado como morte por causa desconhecida na DPCA (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente) e segue em investigação.