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Câmara dos Vereadores atribui rompimento à gestão Adriane e defende CPI dos buracos
Presidente Papy afirma que CPI do tapa-buraco não é provocação política; vereadores cobram solução para buracos e defendem investigação sobre o serviço
A Câmara Municipal de Campo Grande afirma que manteve as portas abertas ao diálogo com a prefeita Adriane Lopes (PP) e atribui ao Executivo o afastamento institucional entre os dois Poderes. Em entrevista ao TopMídiaNews, vereadores disseram que a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do tapa-buraco é uma ferramenta de fiscalização diante das reclamações da população sobre a conservação das ruas da Capital.
O presidente da Casa, vereador Papy (PSDB), afirmou que os parlamentares buscaram colaborar com a administração municipal, mas não podem deixar de fiscalizar problemas na gestão. Segundo ele, a qualidade dos reparos, os critérios usados para escolher as vias atendidas e a metodologia do serviço precisam ser esclarecidos.
“Dos 29 parlamentares, a nossa intenção sempre foi ajudar Campo Grande e, naquilo que foi possível colaborar com o Executivo, nós fizemos”, declarou Papy. Ele ressaltou, porém, que a Câmara não pode “fechar os olhos” para questões relacionadas à administração pública.
Para o presidente, a CPI não deve ser interpretada como uma provocação à prefeita. “O rompimento, se é que ele existe, é por parte do Executivo. A Câmara é a casa do povo, é o lugar do debate”, afirmou.
Papy também lamentou o clima de tensão registrado na sessão de terça-feira (20), quando apoiadores da prefeita estiveram na Câmara durante as discussões sobre a investigação. Segundo ele, pessoas ligadas ao Executivo compareceram ao Legislativo para pressionar vereadores e acirrar os ânimos. O presidente ponderou que não estava atribuindo diretamente ao Executivo a responsabilidade por eventuais atos de tumulto.
CPI tem apoio de vereadores de diferentes partidos
O vereador Maicon Nogueira (PP), também integrante do partido da prefeita, afirmou que o Legislativo já tentou dialogar com a administração municipal sobre a operação tapa-buraco. Segundo ele, o secretário municipal de Obras, André, esteve na Câmara e apresentou prazos que, conforme o parlamentar, não foram cumpridos.
“Todas as tentativas de diálogo em relação à operação tapa-buraco foram feitas”, disse Maicon. Para ele, a abertura da CPI é uma resposta ao descumprimento dos compromissos assumidos pelo Executivo.
O vereador afirmou ainda que a fiscalização faz parte das atribuições do Legislativo e declarou que a preocupação da Prefeitura em relação ao avanço da comissão deve ser esclarecida. Na avaliação dele, a Câmara precisa dar uma resposta às demandas da população, independentemente das diferenças partidárias.
Professor Riverton (PP) também defendeu a investigação e afirmou que a CPI é um instrumento de fiscalização, não uma condenação antecipada. Segundo ele, a Prefeitura terá a oportunidade de apresentar documentos, orçamento, planejamento e informações sobre a execução dos serviços.
“A CPI é um ato para a gente fiscalizar. Nós não estamos condenando ninguém”, declarou.
A vereadora Luiza Ribeiro (PT) afirmou que a comissão é necessária diante da falta de clareza sobre os serviços de tapa-buraco, recapeamento, asfaltamento e tratamento de vias sem pavimentação asfáltica. Ela defende que suspeitas sobre o uso de recursos públicos sejam investigadas.
Vereadores pedem redução da tensão
Wilson Lands (Avante) afirmou que o conflito entre Executivo e Legislativo prejudica Campo Grande e disse que a Câmara já ofereceu condições para a administração municipal trabalhar. Para ele, cabe à Prefeitura apresentar resultados e solucionar os problemas da cidade.
O vereador também informou que a Procuradoria da Câmara deve analisar imagens da sessão para identificar servidores que eventualmente tenham participado das manifestações durante o horário de expediente e avaliar as medidas cabíveis.
Lands afirmou que a solução para o impasse depende de uma sinalização do Executivo e defendeu que os secretários concentrem esforços na prestação dos serviços públicos, em vez de antecipar discussões políticas sobre as eleições de 2028.
Já Dr. Jamal (MDB) defendeu a manutenção do diálogo e ponderou que a administração enfrenta dificuldades para acelerar os reparos, inclusive por questões burocráticas e pelas chuvas, que danificam o pavimento. O vereador disse acreditar que a CPI pode ajudar a esclarecer o problema.
CPI deve avançar após oitiva
Segundo os vereadores ouvidos pela reportagem, a CPI do tapa-buraco reúne 28 assinaturas, indicando apoio de parlamentares de diferentes bancadas. Maicon Nogueira afirmou acreditar que a comissão seja instaurada após a oitiva do secretário municipal responsável pela área.
Papy, por sua vez, disse que a quantidade de assinaturas demonstra que a iniciativa é séria e que o objetivo é buscar respostas para a população, não alimentar uma disputa política.
O presidente reforçou que os conflitos entre agentes públicos não costumam resultar em melhorias para os moradores. “Eu nunca vi briga de político resultar em melhoria da vida das pessoas”, afirmou.