há 13 horas
Prefeitura paralisa obra de asfalto e drenagem no Noroeste
O extrato publicado no Diogrande não informa o motivo da interrupção dos serviços nem apresenta previsão para a retomada dos trabalhos
A Prefeitura de Campo Grande determinou a paralisação das obras de pavimentação asfáltica e drenagem de águas pluviais do lote 2 do Jardim Noroeste. A medida envolve o contrato 334/2024, firmado com a empresa DMP Construções Ltda., e tem efeito a partir de 1º de outubro de 2026, conforme extrato da Ordem de Paralisação nº 10/2026, da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep).
O documento foi formalizado em 29 de setembro e assinado por representantes do município e da empresa. O extrato publicado, no entanto, não informa o motivo da interrupção dos serviços nem apresenta previsão para a retomada dos trabalhos.
A paralisação ocorre em meio a reclamações recorrentes de moradores do Jardim Noroeste sobre a falta de infraestrutura, ruas esburacadas, valetas e problemas em trechos que receberam pavimentação recentemente.
Em uma das áreas mais críticas, a Rua Urupês, moradores já denunciaram alagamentos, erosões e deterioração do asfalto. A via recebeu pavimentação sem estruturas adequadas para a captação da água da chuva em determinados trechos. Durante temporais, a enxurrada desce pelas ruas, invade residências e dificulta a circulação de veículos e pedestres.
A qualidade do pavimento também foi questionada. Em trechos da Rua Urupês, o asfalto recém-aplicado chegou a se desfazer com facilidade, levantando suspeitas sobre a execução dos serviços. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou inquérito civil para apurar possíveis irregularidades no contrato do lote 2, incluindo a suspeita de que a pavimentação tenha sido executada antes da conclusão da drenagem pluvial.
A situação não se limita às vias pavimentadas. Isso porque moradores da Rua Osasco denunciaram que máquinas da prefeitura abriram valetas e deixaram os serviços inacabados, tornando a passagem de veículos difícil. A comunidade também relatou falta de iluminação pública, matagal às margens das ruas e ausência de respostas a pedidos de manutenção.
No mesmo mês, em agosto, moradores da Rua das Perdizes, esquina com a Rua Almeida, reclamaram de buracos, valas e lama acumulada após as chuvas. Segundo relatos, a situação chegou a impedir deslocamentos e dificultar a coleta de lixo.
O lote 2 do contrato com a DMP Construções tem valor de aproximadamente R$ 19,5 milhões. A investigação do MPMS sobre a execução dos serviços busca esclarecer possíveis falhas técnicas e eventuais prejuízos aos cofres públicos.
Até o momento, o extrato da ordem de paralisação não esclarece se a interrupção está relacionada aos problemas apontados pelos moradores ou à investigação do Ministério Público, nem informa quando os trabalhos serão retomados.
A reportagem procurou a prefeitura para falar sobre o assunto, mas até a publicação desta matéria não teve retorno. O espaço segue aberto para manifestações futuras.